É como uma nuvem, a História: gigantesca e cheia de delicadeza. Uma coisa grande que parece mudar lentamente; mas distraímo-nos e já está inteiramente diferente. Não faltam na história situações fortuitas, ou próximo disso, de consequências irreversíveis. Vistas de perto, não seriam incomparáveis com o acidente que, no passado sábado, decapitou a república polaca, começando pelo seu Presidente, chefias militares e alguns dos principais políticos. Um estudante tenta matar o herdeiro do trono austríaco enquanto ele visita Sarajevo, a 28 de junho de 1914. Não consegue à primeira, desencontra-se da caravana, reencontra-a quase por acaso, dispara o seu revólver. O arquiduque Francisco Fernando morre, a sua mulher também. Pouco depois, começa uma guerra mundial. Roma está a arder em Maio de 64 d.C., sabe-se lá porquê, terá sido um forno de pão aceso ou o próprio imperador ou um animal a provocar acidentalmente o fogo? Nero culpa os cristãos e persegue-os impiedosamente, contribuindo a prazo para aumentar a coesão, e a força, da então ainda pequena seita. Estes são os exemplos clássicos. Poderíamos acrescentar: