Preferes uma catástrofe económica e social? Ou antes uma catástrofe política? Não sei que mal fizémos à deusa da democracia, mas ela está a sujeitar-nos a uma duríssima prova. Diz ela: Portugal, escolhe entre duas catástrofes. Preferes uma catástrofe económica e social? Ou antes uma catástrofe política? A catástrofe económica e social é Pedro Passos Coelho, que é um líder do PSD muito mais banal do que parece. O que sabe de política aprendeu como líder de uma juventude partidária; em vez de ter maturado, a sua temporária ausência da política fê-lo regressar como personagem plastificada. A imagem de extremista ideológico que a esquerda compôs dele pode até, de certa forma arrevesada, creditá-lo de uma consistência de pensamento que eu — salvo melhor intuição — não lhe encontro. Temo-lhe a ligeireza mais do que o extremismo. A privatização das águas, a extinção do ministério da Cultura, tudo parece emergir no seu discurso com a mesma falta de questionamento. Certas pessoas parecem não ter dúvidas por dogmatismo. Outras não têm dúvidas por inconsciência — e Passos Coelho é uma delas. Uma pessoa assim é perigosa, sobretudo quando rodeada por uma clique de taticistas disposta a bajular o líder para alcançar os seus próprios objetivos. Pedro Passos Coelho está rodeado destes bajuladores por todo o lado, e eles parecem mais movidos pelo lucro do que pela glória. Com um país em crise, vai ser difícil distinguir entre a privatização e a pilhagem. A catástrofe política é José Sócrates.