Há ainda formas de, no jornalismo, descrever, resumir, interpretar. Creio que a isso até se chama, salvo erro, fazer jornalismo. Liguei o aparelho na RTP1. Segunda parte do Manchester-Barcelona, uma boa surpresa, tinha-me esquecido do jogo. Esperei pelo Telejornal. O país a uma semana de uma eleição, num momento crítico, etc. — vocês sabem a história. A primeira notícia do Telejornal foi sobre o jogo de futebol que eu tinha acabado de ver. Era uma final europeia, tudo bem, mas a notícia era redundante: o jogo tinha acabado 30 segundos antes, que diabo, naquele mesmo canal. Não me lembro de quais eram as notícias seguintes. As chuvadas, um acidente, essas coisas. Sobre a campanha havia primeiro uma peça sobre o lado íntimo, ou lá o que era, de Pedro Passos Coelho: o candidato explicava que nunca foi gordo, que não gostava de se sentar na relva porque lhe doía o rabo, etc. Tive pena dele; é preciso paciência para fazer aquele papel e ouvir aquelas perguntas, sempre com o mesmo sorriso na cara. Depois veio uma peça sobre Julio Iglesias