Há muito tempo que o PSD não tem um líder de cultura não-autoritária. E, pelos vistos, ainda não é desta vez que o vai ter. Até um anarquista pode ser autoritário (acontece com pessoas que eu conheço). Ser autoritário, no sentido que eu uso aqui, é um traço de temperamento. Não é, porém, a mesma coisa que participar de uma cultura autoritária. Uma coisa é psicologia individual e a outra é psicologia coletiva ou, em última análise, ideologia. A pessoa mais filosoficamente libertária, ou mesmo apenas convictamente liberal, nunca seria capaz de admitir uma aberração como a que o PSD votou no seu congresso e que prevê penas para quem criticar o partido nos dois meses que antecedem atos eleitorais. Essa mesma pessoa poderia dar dois berros em casa por causa de um livro mal colocado na estante. Mas votar uma aberração daquelas, deliberadamente, num congresso, ou deixar que ela passasse sem protestar? Nem pensar. Teria náuseas só de pensar nisso.