Agora que um novo dia começa é preciso que se entenda que a nossa retração às fronteiras “originais” implica um esforço de aprendizagem que os nossos governos nunca souberam fazer. Quanto mais pequeno é um país, menos paroquial pode ele dar-se ao luxo de ser. Há quatrocentos Portugal estava na sua primeira experiência de integração política europeia. Hoje chamamos-lhe o “tempo dos Filipes” e ele evoca-nos só a Espanha, mas é por ignorância. Os Filipes pertenciam a uma família do centro da Europa — os Habsburgos — e politicamente uniam-nos a regiões europeias tão distintas como os Países Baixos, a Lombardia, o Franco-condado e a Sicília. Essa experiência europeia foi para nós muito mais exceção do que regra. Aconteceu há quatrocentos anos, e só se repetiu agora. No resto da sua vida, a inserção de Portugal foi mais intercontinental do que europeia. Se o milénio passado fosse condensado num dia