Qualquer ação contra este estado de coisas não tem a vida fácil: encontrará como resposta o cinismo, a ridicularização e a hipocrisia, de forma assumida ou velada. É natural: há interesses instalados para que as coisas continuem como estão. Nos debates sobre a esquerda portuguesa é sempre hábito alguém fazer o historial de porque são tão difíceis as convergências, desde que as rivalidades dos nossos partidos se consolidaram, há mais de trinta anos atrás. Trinta anos! Isso quer dizer que já andamos nisto há mais tempo do que aqueles soldados japoneses, perdidos na selva, que não sabiam que a guerra tinha acabado — os últimos dois aguentaram 28 anos, na Ilha de Guam, e 29, nas Filipinas. Na verdade a guerra acabou — e a direita ganhou.