Em vez de nos lamentarmos por causa do austeritarismo que tomou conta da Europa, é momento de nos decidirmos a derrotá-lo.
Espero que esta tenha sido a última vez em que esperámos por uma eleição alemã para saber qual será o nosso futuro. Por todas as razões e mais uma: não se ficou a saber nada.
Merkel teve uma vitória conclusiva e quase histórica, por ter quase conquistado uma maioria absoluta, coisa raríssima na Alemanha. O problema está naquele quase. Os liberais, parceiros de coligação de Merkel, afundaram-se nas urnas e não elegeram deputados. Tampouco elegeu deputados o partido anti-euro, o que significa que os dois partidos mais recalcitrantes a qualquer tipo de mutualização da dívida não vão contar na política alemã dos próximos anos. Incrivelmente pode mesmo acontecer a esquerda ganhar a maioria dos lugares no Bundestag, o parlamento alemão (além de deter já a maioria dos votos na conselho federal, ou Bundesrat, onde estão representados os estados). Segundo os últimos números, os três partidos de esquerda — Sociais-democratas, a Esquerda, e Os Verdes — terão no seu conjunto umas décimas a mais do que a direita.
Não que isso importe, no que deve ser mais uma demonstração da persistente estupidez da esquerda europeia (sim, da esquerda a que pertenço). Não só estes três partidos não trabalham juntos como em particular os Verdes e os Sociais-democratas falharam redondamente em conseguir articular uma visão clara do futuro para os alemães, como têm falhado em todos os outros países europeus. Continuar a ler ‘E agora?’
Nove perguntas essenciais sobre Portugal no âmbito da crise política e económica que arrasou o país depois das negociações com a troika, com respostas pelo Congresso Democrático das Alternativas, no lançamento do livro “A crise, a troika e as alternativas urgentes”. O livro propõe reflexões importantes sobre as origens da crise global e europeia e chama a atenção para a necessidade de mobilização cívica a fim de resgatar o futuro de Portugal. O livro conta com autores como Alexandre Abreu, Hugo Mendes, José Guilherme Gusmão, Nuno Serra, Nuno Teles, Pedro Delgado Alves e Ricardo Paes Mamede.




