Que preferiríamos nós? Que o português fosse falado impecavelmente por 50 mil estrangeiros ou apenas compreensivelmente por 50 milhões? Não se pode deixar escapar isto. Há muito tempo que não tinha oportunidade de defender o primeiro-ministro. Agora tenho. Infelizmente, não é por nada que ele tenha feito. Também não é por nada que ele tenha dito. É antes pela maneira como o disse. E disse-o mal. José Sócrates foi, já se sabe, dar uma palestra sobre energias renováveis à Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Exprimiu-se lá num inglês alquebrado, que ele próprio descreveu no começo da sua fala, como “mau inglês”. O vídeo da palestra, que está disponível na internet e foi difundido pelas televisões, expôs Sócrates à impiedade dos seus críticos. Pacheco Pereira opinou neste jornal sobre o assunto; no seu blogue iniciou um post da seguinte maneira: “A mediocridade de Sócrates quando tem que defrontar o exterior sem guião, é visível com todo o seu esplendor na conferência universitária em Columbia”. O blogue 31 da sarrafada, da direita por uma vez voluntariamente humorística, fez uma compilação em vídeo das “calinadas” de Sócrates, legendando-as com cuidados extremosos de professora do Instituto Britânico. O clip revoou imediatamente pela internet e, na opinião de muita gente, expôs Sócrates ao ridículo. Não percebo porquê.