As dívidas públicas só aumentaram depois da crise, em consequência da crise. Logo, não podem ter sido a causa. São a febre, e não a doença. Ao ministro Vítor Gaspar, que mencionou as “condições meteorológicas” como uma das causas do pouco investimento na construção civil e do permanente atraso da recuperação económica, quem deu a melhor resposta foi Clint Eastwood, num velho filme de caubóis chamado “O Rebelde do Kansas”: “Não me mijem pelas costas abaixo para depois me dizerem que está a chover”. Não é chuva, nem é vento, o que está a empurrar a economia para baixo. Gente é, certamente. A chuva não bate assim. As políticas contracionárias, levadas a cabo por ministros como Vítor Gaspar, são contracionárias. E não respondem às verdadeiras causas da crise. Considerem um discurso recente do português mais poderoso da União Europeia, o número dois do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio. Falando em Atenas no passado 23 de maio, sobre as causas e transmissão da atual crise, Constâncio foi taxativo: a dívida pública não foi a causa da crise.