Em democracia, as oportunidades perdidas não duram só o tempo de uma campanha eleitoral. Elas perduram por anos. A irresponsabilidade dos políticos em 2009 permanece na nossa desgraça de hoje. Em 2009, tivemos três eleições em Portugal — europeias, legislativas e autárquicas. Para quem acredita na democracia, era uma grande oportunidade de fazer três grandes debates sobre o nosso lugar na Europa, o futuro do país e a qualidade de vida nas nossas cidades, vilas e aldeias. Falhar estes debates tem consequências. No ciclo de 2009, era suposto que as eleições europeias fossem uma espécie de ensaio geral para a mudança, sugerindo que o eleitorado queria que a sua pluralidade estivesse bem representada politicamente, preparando-se para recusar maioria absoluta a um só partido, mas pretendendo que os partidos dialogassem para encontrar rumos para o país. A partir das legislativas, porém, viu-se que os partidos não estavam prontos para levar a sério o seu papel num parlamentarismo reforçado, eque a Assembleia da República seria afinal uma mera antecâmara da próxima queda do governo. Isso acabou fazendo das autárquicas uma obrigação de calendário a que ninguém deu significado profundo. A janela fechou-se.