“Antes de ter de optar entre desvalorização interna e desvalorização externa, seria necessário refutar a possibilidade de outra saída da crise: a Grande Valorização. Essa Grande Valorização seria prolongada, passo a passo, e teria três aspectos: a valorização financeira, a valorização da economia e, finalmente, — porque é aquela que mobilizará as pessoas para as outras duas, — a revalorização democrática.” Há, dizem, duas maneiras de sair da crise. A primeira é a que temos seguido. Chama-se “desvalorização interna”: baixar salários, cortar prestações sociais e baixar na exigência ambiental ou laboral. Como dizia o primeiro-ministro, empobrecer para ficar competitivo. Noutras palavras: vender-nos ao desbarato. A outra maneira é a da “desvalorização externa”. Implica sair do euro para voltar a imprimir a nossa moeda e desvalorizá-la. A proposta aparece como uma rutura inevitável e até de emergência perante a brutalidade da desvalorização interna. Quem a apresenta quer parar de desvalorizar as pessoas para desvalorizar apenas a moeda. Ambas as soluções são, de forma mais ou menos admitida, um regresso ao passado.