Uma notícia mal amanhada bastou para acordar os jornalistas nacionais para o populismo anti-político. Já agora, mantenham-se acordados para as coisas sérias também. Declaração de interesses: toda a crónica de hoje é uma longa declaração de interesses, às vezes mais interesseira, e talvez sem interesse nenhum. Mas dê-se o devido desconto. Anda um tipo a esfolar-se durante meses para preparar dois relatórios do Parlamento Europeu, no caso sobre refugiados (um relatório é o documento que pode, entre outras coisas, alterar a lei europeia). Este trabalho incluiu dezenas de reuniões e consultas, incluindo visitas a campos de refugiados. Se for bem feito, permite dar uma vida nova a milhares de pessoas das mais vulneráveis do mundo. Os dois relatórios foram aprovados com mais de 500 votos, dos comunistas aos conservadores. Não só sou eu. A minha vizinha e amiga do BE, Marisa Matias, fez um relatório sobre medicamentos falsificados que, sem exagero, se pretende que salve vidas. Bons colegas de outros partidos têm feito relatórios importantes. Carlos Coelho (PSD) sobre política de fronteiras e vistos. João Ferreira (PCP) sobre catástrofes naturais. Luís Paulo Alves (PS) sobre agricultura nas regiões periféricas. E deve haver outros, mas eu não sei deles. Não sei, porque