O desperdício de gente é o mesmo numa economia injusta e num sistema político capturado. Portugal é um país de exclusão. Exclusão económica e social. Mas também exclusão política. As duas estão ligadas, pois uma democracia da qual os cidadãos estão excluídos não só não funciona como democracia como não conseguirá trazer justiça e económica e social. É estranho que os partidos que combatem a exclusão económica e social continuem a praticar a exclusão política, a negar que ela existe, ou a comportar-se como se ela fosse um assunto menor. Nas últimas cinco crónicas desta série comecei por descrever como a degradação da democracia não é uma novidade em Portugal, tendo seguido no liberalismo e na república a mesma trajetória de clientelismo, feudalismo e partidocracia que estamos a experimentar agora; em seguida apresentei propostas para a democracia local (eleições primárias abertas) e europeia (eleição do chefe de missão no Conselho); ao chegar ao Parlamento e aos partidos deparamo-nos com dois problemas quase inamovíveis, a saber, um parlamento onde a disciplina partidária pode mais do que a Constituição (na liberdade de voto e mandato), os interesses podem mais do que a obrigação de legislar (com deputados trabalhando para escritórios de advogados) e, finalmente, partidos que partem e repartem uma escolha que não chega bem a ser nossa.