Se porventura o multiculturalismo falhou, então o antimulticulturalismo nem chegou a estar perto de acertar. Quando eu era miúdo, havia três possibilidades na minha família: ser-se católico, comunista ou protestante. Muitos eram católicos, mas na maior parte pouco católicos. O comunismo era comum naquelas paragens do Ribatejo e talvez nascesse de raízes mais antigas. O protestantismo era a única coisa bastante recente (anos 60) e nada bem aceite no início. Hoje, quando a família se junta, há gente de outros países e continentes, de outras cores de pele, e não só de outras igrejas mas de outras religiões não-cristãs (ou nenhuma). Quer isso dizer que a família está mais multicultural? Depende do que queremos dizer. Distinguirei aqui quatro possibilidades dessa palavra.