As pessoas nos partidos deveriam ver mais longe, e entender que “mais do mesmo” não chega para os nossos tempos históricos. Há um princípio chamado de Clay Shirky, do nome de um autor de livros sobre cultura e tecnologia, segundo o qual “as instituições procuram preservar o problema para o qual deveriam ser a solução”. A razão é muito simples: caso resolvesse o problema para o qual foi criada, a instituição X perderia a sua razão de existir; em consequência, no conflito entre resolver o problema e assegurar a sua própria manutenção, a instituição tende — a menos que seja forçada por outra via — para a segunda opção. Este paradoxo faz lembrar, de forma irresistível, a situação dos partidos políticos em Portugal. Os partidos são essenciais à democracia; porém, se fossem verdadeiramente democráticos perderiam a razão de existir na sua forma atual, que é a de afunilar a democracia portuguesa.