A ilusão da desilusão

  Isto está a passar-se, neste momento, debaixo dos narizes dos nossos conservadores. Como de costume, eles não se dão conta.   É digna de pena esta história. A opinião conservadora, que durante um ano “previu” a derrota de Obama (e depois de ter errado se proclamou em condições de nos explicar as “verdadeiras” razões da sua vitória) está agora reduzida a ter de vaticinar a decepção da esquerda com o futuro presidente dos EUA. Não dedicam um minuto a avaliar o ridículo desta situação, já para não falar em considerar o descaminho do conservadorismo nos últimos anos. Não; preferem viver na ilusão da desilusão.   Consideremos o seguinte:

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A infelicidade dos portugueses conta?

  A nossa infelicidade é como um móvel que sempre esteve no meio da casa. Mas será um assunto a tratar em público?   Há poucos estudos comparativos que não dêem os portugueses como entre os mais tristes, ou mesmo os mais tristes de todos os europeus, os mais descontentes e pessimistas. A questão é que fazer com essa noção. Sim, a nossa infelicidade é como um móvel que sempre esteve no meio da casa. Mas será um assunto a tratar em público? Por outras palavras: será a infelicidade dos portugueses uma questão política?   Se você acha que não, algo de errado se passa consigo. Provavelmente, o mesmo que se passa connosco. Os gregos, que sabiam qualquer coisa do assunto — dos dois assuntos, aliás — diziam que “a felicidade reside na liberdade, e a liberdade na coragem” (Tucídides).   Vamos lá por partes.

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Limites e soluções

  Mas depois de reconhecer os nossos limites, é preciso notar como estes medonhos massacres em Bombaim assinalam os limites de todas as abordagens anteriores.   Numa entrevista recente, um jornalista da Time perguntou a Obama sobre o Afeganistão. Obama respondeu e acrescentou algo sobre o Paquistão, algo mais ainda sobre a conflituosa história das relações entre o Paquistão e a Índia, e finalizou expondo algumas ideias sobre o mais perigoso impasse entre estes dois últimos países — Caxemira. Em cada um dos passos procedeu da mesma forma, reconhecendo primeiro as dificuldades inerentes e depois as oportunidades de resolução que identificava. Sugeriu, por exemplo, que os EUA dedicassem influência suficiente para ajudar a falar de Caxemira — talvez enviando Bill Clinton como emissário — porque a obtenção de um esboço de solução poderia ajudar a Índia a confirmar o seu estatuto de potência emergente e o Paquistão a concentrar-se na fronteira com o Afeganistão.

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