Não, caro leitor, não é isso que a Lei de Gresham diz: ela diz que moeda má expulsa a boa “quando a taxa de câmbio é fixa”. Neste caso, a taxa de câmbio seria flutuante — a ideia é mesmo essa.
Como uma grande série televisiva depois do recesso estival, a crise da zona euro regressa para a sua terceira temporada, e todo o mundo ansioso para saber a resposta às grandes questões: irá a Grécia sair? que acontecerá à Espanha e Itália? este Hollande é melhor do que aquele Sarkozy? irá finalmente a Merkel apaixonar-se pelo Eurobond?
Em antecipação, ofereço nesta crónica uma espécie de quebra-cabeças para dois problemas de longo prazo da União Europeia e do euro — os problemas de curto prazo continuam a ser os mais difíceis — com proposta de solução.
Na passada semana um consultor do governo chamado António Borges apareceu com um plano, não para privatizar a RTP, mas (para ser mais preciso) acabar com ela, cortá-la aos pedaços, enterrá-la no fundo do quintal e pagar renda a um capataz para lhe administrar a herança. Passado uns dias, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho ainda não veio esclarecer se isto é só uma brincadeira de mau gosto ou se é para ver se pega. Mas, não temei: António José Seguro, líder do maior partido da oposição, já disse que “quando o PS for governo voltará a existir serviço público de televisão”.
A resposta está, curiosamente, numa causa genética, e hoje esquecida, da esquerda: a partilha do emprego e a diminuição do tempo do trabalho.
“Dirás ao teu pai, o conde Tolstoi, que caíste. E que quem te levantou foi Fiodor Dostoievski.”
Nós poderemos um dia viver debaixo de água. Mas não sem cultura.




