Anders Behring Breivik tencionava ser o contrário de Bin Laden. Na verdade, o mesmo fanatismo, organizado de maneira diferente. Quando Bin Laden foi morto há uns meses atrás, muitos notaram que ele vivia praticamente como convidado do exército paquistanês. Alguns escreveram-no. Mas ninguém, ou quase, registou o significado por detrás desse facto, a saber: que a imagem do terrorismo com que tínhamos vivido durante uma década não batia certo com a realidade. Essa imagem era a de que a Al Qaeda inaugurava um tipo de terrorismo novo, até então apenas visto nos filmes: o de uma organização não-estatal espalhada pelo mundo que usava o terror para atingir objetivos geopolíticos — o estalar de uma “guerra de civilizações” ao instaurar de um “novo califado”. Acreditámos nisso e, crucialmente, os seguidores da Al Qaeda acreditaram também.