Como todas as revoluções, este PREC tem os seus crentes, os seus clientes e os seus dementes. Quando os planos começam a falhar é muito difícil, e quase inútil, conseguir distinguir uns dos outros. Nos anos 70, — em comparação, a única outra grande crise entre a Grande Depressão e a crise atual —, o choque petrolífero apanhou Portugal em pleno processo revolucionário. Saído de uma ditadura, acabando uma guerra colonial, discutindo a sua inserção geopolítica entre dois super-poderes, a Europa ou o Terceiro Mundo, o país atingiu o ponto de ebulição durante seis meses em 1975 — que foi também o ponto alto da crise internacional. Desde então há uma direita portuguesa que culpa aquela meia-dúzia de meses transcorridos há mais de 30 anos pela maioria dos problemas atuais de Portugal. A propósito disso pensei há tempos escrever uma crónica com o título: “Última Hora! O PREC já acabou”. Só que, entretanto, começou um novo PREC.