As pessoas reais não precisam que gostem delas; querem é ser respeitadas. Em Portugal, os políticos que gostam mais de dinheiro do que de poder tornam-se administradores. O tempo em que eram ministros ou deputados foi uma espécie de recruta a que não desejam regressar. É nas empresas, públicas, privadas, ou híbridas, que estão os salários de dezenas de milhares de euros por mês, os bónus de milhões, os pagamentos chorudos para assistir a umas raras reuniões — abrigados da crítica pública e auferindo dos salários de gestores mais altos da União Europeia, em termos absolutos. Os políticos que gostam mais de poder do que de dinheiro ficam na corridinha de obstáculos a que às vezes se chama — só o nome assusta — a carreira partidária. Esta depende da submissão ao chefe e, tanto quanto possível, de guardar as suas ideias para si. A regra é: comenta tudo, não te comprometas em nada. Diz o mínimo, nunca escrevas, e andarás pelo seguro. Chegado ao topo dessa carreira o político que gosta de poder exercerá o poder nos limites partidários, o que se resume a isto: manter um nicho de mercado. Pode ser no mercado da governação ou n, o mercado da contestação, desde que fale para o seu nicho, que lhe devolverá o eco da sua voz. E depois há os políticos que sonsamente dizem que “gostam de pessoas”.