Do mesmo, mas em maior

A União Europeia está muitas vezes condenada antes de ser julgada, e eu queria evitar isso nessa crónica, então esperei por uma série de audições parlamentares para ter uma oportunidade de ser mais justo. Ouvi e questionei, entre outros, a Comissária dos Assuntos Internos e o Secretário-Geral dos Assuntos Externos, ou seja, os números 1 e 2 para o que se passa dentro e fora de fronteiras da União. O assunto era, evidentemente, a “revolução árabe” e as suas consequências. O meu veredito? Bem, os responsáveis tentam esforçadamente dar a impressão de que, desta vez, não querem ficar aquém do desafio. E apresentam-nos números, números de guardas fronteiriços e de patrulhas, e medidas preparatórias, para mostrar que estão preparados. Mas como sempre, os responsáveis europeus estão preparados para a crise do passado, e nunca para a do presente. Para nos impressionar, dão-nos o mesmo, mas em maior. Vejamos: perante a situação na Líbia, e em resposta à pressão da Itália, a Comissão Europeia apresenta-nos uma operação fronteiriça. Uma operação grande, inflacionada e, se for preciso, até gigante, mas uma operação fronteiriça. O trivial em grande e, no entanto, completamente ao lado do alvo. E, no entanto, a realidade está aí:

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Encontros de Baucau

Díli, Timor-Leste. — Estive aqui em Timor há ano e meio e, tirando aeroportos e desembarques, comecei a minha viagem pelo primeiro lugar onde os portugueses pisaram — o enclave de Oecussi-Ambeno — e terminei por onde eles em último lugar hastearam a bandeira — a  Ilha de Ataúro. Calhou simplesmente assim. A meio da viagem, encontrei a Felicidade em Baucau. Felicidade Neto Ximenes, vinte e tal anos, funcionária da pousada, falante de tetum, português, indonésio, inglês e da língua local, macassai. E seria certamente capaz de se fazer entender em qualquer mistura destes idiomas pela simples força de vontade e pelo sorriso. Partimos em missão pela região leste da ilha, até ao cume do monte Matebian, onde havia uma comemoração, e regressando pela aldeia de Venilale. Mas não se pode acrescentar felicidade à Felicidade sem a acompanhar ao lago escondido por um palmar entre duas encostas da montanha, ou sem enfiar pelos túneis que os soldados japoneses escavaram na ilha, e sem ouvir as histórias da resistência e da guerrilha. Não consegui impedir-me de pensar que a cooperação e desenvolvimento local funcionará no dia em que por cada funcionário internacional que cessar o contrato se descubram dez Felicidades. Ao regressar a Baucau, tínhamos tido uma ideia:

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