A incompetência na gestão desta crise tem sido multiplicada pelo excesso de confiança no mito da competência alemã.
Como é sabido, a crise do euro já deitou abaixo muito governos, e um dos efeitos secundários é que agora começa a haver ex-ministros dispostos a por a boca no trombone. Este domingo ouvi um ex-membro do governo irlandês contar em público, e nem mais nem menos do que na cidade de Berlim, como foi que soube do resgate do seu país.
Tudo começou com um telefonema provindo da alta hierarquia da Bloomberg, serviço financeiro norte-americano: “olha, o teu governo vai pedir um resgate à Europa”, “acho que não vai, não”, “pois eu estou que certo que sim”, “ninguém no nosso governo acha isso”, “não foi o teu governo que me disse — foi o governo alemão”. A Irlanda, como se lembram, pediu o seu resgate, mais forçada que outra coisa.
Outra história que seria bom ver esclarecida é a de como foi decidido o famoso “corte-de-cabelo” grego. Continuar a ler ‘Um murro na mesa’
E assim lá vão já dois jornalistas — Pedro Rosa Mendes e Maria José Oliveira — ejetados pela carga de ombro do ministro Miguel Relvas, que entretanto passa sem um arranhão.
Agora que, vinte anos depois, a crise do euro se aproxima de uma nova “batalha do franco”, veremos como a história acaba.
Na verdade não há diferença, nem novidade nenhuma, desde o início desta crise. A lição é sempre a mesma. As pessoas têm de sofrer. Os bancos não.




