Quero o fim das ilusões porque essas ilusões de uma queda fácil do governo têm poupado a oposição à sua grande responsabilidade: trabalhar no duro para criar uma alternativa. A semana passada Paulo Portas falou aos portugueses e traçou uma linha vermelha: o CDS não poderia aceitar uma nova taxa sobre as pensões. O próximo parágrafo é o que escrevi então: “Pode ser teatro talentoso, mas não deixa de ser teatro. E esconde duas coisas. A primeira é que Paulo Portas não é uma personagem nesta peça: é um dos autores. A segunda é que, por mais que isto pareça uma farsa, é de uma tragédia que se trata.” A farsa durou uma semana. Ontem, o Conselho de Ministros finalizou as medidas a juntar ao fecho da 7ª avaliação da troika, e a taxa sobre as pensões lá está, aceite pelo CDS a título “extraordinário”. É o fim do engano.