Seguindo a política nacional fico com a impressão de que ainda não saímos da primeira fase.Os líderes da oposição ficam à espera de uma abertura para a descida do ‘Deus ex machina’ que lhes vem resolver as coisas por eles. Pode ser o Presidente da República, ou a reunião do Conselho de Estado, ou uma zanga entre ministros, ou o povo que já não aguenta mais. Ou, ultimamente, o dr. Paulo Portas. Durante um par de séculos, o teatro favorito dos portugueses era o chamado “gosto espanhol”, no qual as peças tinham personagens pecadores e personagens virtuosos e a intriga se ia complicando até ao momento em que Deus aparecia e os bons iam para o céu e os maus iam para o inferno. Podia ser Deus a resolver o assunto, ou os anjos, ou o diabo, ou simplesmente um trovão e um relâmpago, ou até um terramoto. Até ao dia em que houve mesmo um Grande Terramoto, e o futuro Marquês de Pombal proibiu esse tipo de teatro e instituiu antes o chamado “gosto francês”, no qual as personagens se safavam pelos seus próprios meios e a intriga tinha forçosamente de ser verosímil, sem intervenções sobrenaturais. Seguindo a política nacional fico com a impressão de que ainda não saímos da primeira fase.