Se houver abuso de algum destes dados, não pensem que a lei americana nos protege, uma vez que o Privacy Act só protege cidadãos americanos e residentes nos EUA. Já não me lembro de há quanto tempo não escrevo uma crónica minimamente otimista. E, acreditem, isso não é melhor para mim do que para vocês. Mas se o otimismo se funda em saber que a sociedade tem recursos suficientes para superar os seus problemas, afunda-se quando vemos que passámos os últimos tempos a agravá-los. Três casos. 1. Dizer “isto é o regresso da censura” é, muitas vezes, uma hipérbole. Porém, o governo húngaro pretende implementar uma lei que é — e eu, por causa das coisas, quase nunca uso a expressão — o regresso da censura. Segundo esta lei a imprensa está sujeita a multas que vão até 700 mil euros — que terão de ser pagas antes de recurso aos tribunais, o suficiente para levar à falência a maioria dos títulos — por “falta de objetividade” ou “falta de equilíbrio” nos seus artigos. E quem decide o que é falta de equilíbrio? Uma comissão, nomeada por nove anos, cujos membros pertencem ao partido do governo. Em certos casos, esta comissão pode proibir programas ou ver artigos antes de publicação. É claro que um país com uma tal lei de imprensa não seria nunca admitido na União. Mas agora que está cá dentro, pode até presidir a ela, como é o caso da Hungria desde 1 de janeiro deste ano. 2. O ministro Rui Pereira negociou com os EUA um acordo para lhes ceder informações constantes dos nossos Bilhetes de Identidade, incluindo dados biométricos