Arquivo mensal para Novembro, 2016

Leituras do dia – 30.11.2016

Imagem: Francesco Clemente

1 – Italy’s Most Popular Political Party Is Leading Europe In Fake News And Kremlin Propaganda (Alberto Nardelli e Craig Silverman)

“The party, co-founded by former comedian Beppe Grillo and internet entrepreneur Gianroberto Casaleggio, has ridden the same wave of anti-establishment, nationalist anger that carried the Brexit vote in the UK and Donald Trump’s US election victory.”
https://www.buzzfeed.com/…/italys-most-popular-political-pa…

2 – Identity politics won the election — white identity politics (Lolgop)

“That “outreach” could be off-putting to white voters indoctrinated by conservative posturing and even more offensive to minority groups for two reasons: it requires humanizing people who have dehumanized you and it suggests that the only way to get white people to care about racism is to show that it hurts them.”
http://www.eclectablog.com/…/identity-politics-won-the-elec…

3 – What the alt-right actually wants from President Trump (Zack Beauchamp)

“The alt-right’s priority, first and foremost, is preserving America’s status as a white-majority nation. To that end, they want Trump to follow through on the most extreme immigration ideas he’s discussed — such as deporting millions of undocumented immigrants and banning Muslim immigration. These steps, they think, will slow what they call the “dispossession” of America’s whites.”
http://www.vox.com/…/137160…/alt-right-policy-platform-trump

 

Um ditador dos bons, ou dos nossos?

fidel Aqui está a minha crónica de ontem. Só posso, como de costume, publicar uma parte do texto, o que era uma escolha difícil desta vez por deixar o argumento truncado. O melhor mesmo será ler o texto completo no Público.

“A história de como isto foi acontecer é tanto uma história pessoal de Fidel como uma história coletiva de Cuba e, sem escapatória, uma história da arrogância dos EUA. O apoio à ditadura de Fulgencio Batista e a utilização de Cuba como traseiras do quintal estado-unidense terão justificadamente transformado a visão de Fidel enquanto crescia. Quando ele, já líder revolucionário, tomou o poder, a incompreensão dos EUA foi ainda maior do que esperaria. O bloqueio foi e é um absurdo cruel; a firmeza de Cuba contra ele é mais do que justificada. Até hoje se discute, e durante muito tempo se discutirá, se Fidel foi mais comunista sozinho ou porque a paranóia anti-comunista dos EUA o empurrou a isso, da aventura de Kennedy na Baía dos Porcos à instalação de mísseis soviéticos na ilha — e como essa paranóia e contra-paranóia quase nos levaram à guerra nuclear.

Discutir-se-á tudo isso, mas quase como curiosidade. Porque, no fundo, o que se discute hoje não é nada disso, mas antes: Fidel era um ditador bom, um ditador dos bons, ou um ditador dos nossos?

Deixem-me contar um episódio. Recém-chegado ao Parlamento Europeu, fui a uma reunião entre o embaixador cubano e o meu grupo parlamentar. Só um deputado irlandês, trotskista e ex-padre católico (duas coisas — trotskista e católico — que nunca fui), teve a coragem de perguntar pela situação de um líder operário que estava preso por tentar formar um sindicato independente do estado. O embaixador respondeu: não vos posso dizer porque é que está preso, mas posso dizer que é por razões muitos graves, e peço-vos que confiem em mim.

Essa lógica recusei-a então e recuso-a agora. O embaixador cubano, diga-se de passagem, era um aparelhista do estado igual ao de qualquer estado, de esquerda ou de direita. Esse aparelho de estado foi Fidel que o criou, como foi Fidel que decidiu as execuções, a repressão, a censura e a prisão política. Sim, em tempo de guerra fria, quando a brutalidade era a norma. Mas também em plenos anos 2000 quando já nem a guerra fria o justificava. Por isso recuso a lógica de reconhecer o lugar de Fidel na história sem ter hoje uma palavra de solidariedade para quem seja reprimido por tentar organizar trabalhadores ou lutar por ideias como Fidel defendia que se pudesse fazer noutros países que não Cuba. O mundo mudou de novo, e curiosamente é mais parecido com o mundo multipolar e confuso em que o pequeno Fidel escrevia a Roosevelt do que com o mundo bipolar em que eu cresci. Fidel até pode ser um ditador dos nossos — é da esquerda que é a minha família política — mas parem de dizer se a história o absolverá ou não. Isso não é tarefa da história. É tarefa vossa.”

Leia o resto aqui.

 

Carta aberta a Paulo Rangel

Ontem no Público.

“E acontece que a situação, entretanto, piorou. No dia em que Oettinger foi à Hungria fazer um evento com o autoritário primeiro-ministro Viktor Orbán quem o trouxe no seu jato privado foi o consul da Rússia em Budapeste, um magnata alemão bem conhecido por ser um homem-de-mão de Putin. Se isso tem alguma relação com os negócios de centrais nucleares de Orbán, feitos propositadamente para serem ganhos pelos russos, não se sabe (e Orbán será uma conversa para outro dia).

Mas o que se sabe já é mais do que suficiente para se entender que Oettinger não tem condições para gerir o orçamento de uma União de 500 milhões de cidadãos precisamente no momento em que esta luta para ultrapassar uma crise de credibilidade e para se distinguir dos autoritarismos à sua volta. Oettinger não só não se distingue de Putin e dos seus imitadores como demonstra uma visão do mundo muito semelhante à deles e uma prontidão demasiado grande para lhes aceitar os favores. Por menos do que isto já caíram comissões e comissários no passado. E nós continuamos sem entender o silêncio do PSD enquanto se prepara para apoiar que este homem fique com o orçamento da UE e passe a vice-presidente da Comissão. Paulo Rangel, não acha que já chegou a hora de esclarecer isto?”

Leia mais aqui: https://www.publico.pt/…/carta-aberta-a-paulo-rangel-1752177

Leituras do dia

1 – Donald Trump call for apology to ‘harassed’ Mike Pence rejected by Hamilton cast (Olivia Blair )

“On Saturday, the President-elect called the speech “harassment” on Twitter and said the “theatre must always be a safe and special place” branding the cast of the award-winning musical “very rude”.”
http://www.independent.co.uk/…/donald-trump-claims-mike-pen…

2 – Alt-Right Exults in Donald Trump’s Election With a Salute: ‘Heil Victory’ (Joseph Goldstein)

“But now his tone changed as he began to tell the audience of more than 200 people, mostly young men, what they had been waiting to hear. He railed against Jews and, with a smile, quoted Nazi propaganda in the original German. America, he said, belonged to white people, whom he called the “children of the sun,” a race of conquerors and creators who had been marginalized but now, in the era of President-elect Donald J. Trump, were “awakening to their own identity”.”
http://www.nytimes.com/…/alt-right-salutes-donald-trump.htm…

3 – Globalism: A Far-Right Conspiracy Theory Buoyed by Trump (Liam Stack)

“Those conspiratorial beliefs were bolstered when former President George Bush celebrated the end of the Cold War in a 1991 speech by saying it was the dawn of a “new world order.” His use of the phrase was taken as proof by many that a globalist conspiracy really was afoot.”
http://www.nytimes.com/…/politi…/globalism-right-trump.html…

(Vídeo: elenco do musical Hamilton – http://www.independent.co.uk)

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