A atitude pode ser tudo

Ligar o pagamento da dívida grega ao crescimento económico do país é uma mera questão de bom senso, e deveria ser alargada a outros países da zona euro que têm pela frente serviços à dívida muito pesados — a começar por Portugal. Dias decisivos na União Europeia, enquanto Yanis Varoufakis roda pelas capitais europeias para explicar qual é a atitude do novo governo grego, de que é ministro das finanças, em relação ao problema da dívida do seu país e à estabilidade da zona euro. Escrevo “atitude” porque aí está muito do que é decisivo nestes dias. Haverá tempo para que os planos de saída da crise esbarrem em pormenores técnicos, ou sejam resolvidos em reuniões até às altas horas da noite em Bruxelas, Frankfurt ou Atenas. Mas o elemento mais importante para decifrar no imediato é, desde já, a atitude. A disposição dos atores em cena. Demonstram vontade política de chegar a um compromisso? Estão irredutíveis nas suas posições? Pretendem resolver um problema sério ou dar lições uns aos outros? Ora, a única lição de política (ou de vida) que vale a pena ter em mente nestes momentos é a seguinte: não há vitórias absolutas para derrotas absolutas. O absolutismo é contrário à boa resolução dos assuntos humanos.

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