Uma manhã produtiva

Parafraseando Churchill, aquela manhã em Sarajevo produziu mais história do que nós somos capazes de consumir. Na semana passada, não no século passado nem no milénio passado, o mundo moderno assistiu a uma coisa estranha: um homem que decidiu declarar-se Califa, ou seja, descendente de Maomé, líder espiritual e político de todos os muçulmanos. Uma coisa tão estranha quanto um de nós decidir pôr uma coroa de louros na cabeça e declarar-se César. Vamos recuar cem anos até um conflito que temos revisitado aqui muito, a Iª Guerra Mundial. Em 1914, por esta altura, havia ainda um califa e três césares. Os três césares eram o imperador da Rússia — cujo título não era Czar por acaso, mas precisamente por vir do romano Cæsar —, o imperador da Áustria e o rei da Prússia e imperador da Alemanha, ambos com o título de Kaiser pela mesma razão. O Califa era Mehmed V, Sua Majestade Imperial e Sultão do Império Otomano.

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