Arquivo mensal para Maio, 2014

A ditadura do mesmo

Portugal, hoje, é a ditadura do mesmo: os mesmos debates, os mesmos círculos, as mesmas opiniões e os mesmos partidos, fazendo as coisas sempre da mesma maneira, e coreografando as mesmas controvérsias com as mesmas palavras e o mesmo vazio de significado.

Escrevo minutos depois de ter visto o primeiro debate entre os candidatos a presidente da Comissão Europeia. Um debate histórico. Falou-se de tudo o que é essencial para o nosso futuro: desemprego, eurobonds, troika, juventude, energia, Ucrânia, imigração, envelhecimento, pensões e salários. Pela primeira vez desde que o mundo é mundo, quatro candidatos ao executivo de uma União de países explicaram como pretendem governar se forem eleitos. E, no entanto, escrevo estas linhas com raiva.

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O que está em jogo

O que está em jogo hoje é o mesmo: lutar pela democracia europeia agora, para não ter de lutar pela civilização daqui a pouco.

Esta coluna ficará suspensa até à realização das próximas eleições europeias, pelo que a crónica de hoje e a de quarta serão as últimas até lá. Pensei então que deveria fazer um resumo do que está em jogo na Europa, hoje, e em Portugal, depois de amanhã, enquanto me despeço temporariamente.

Quando digo “o que está em jogo” não é nas eleições; é no nosso tempo histórico. Independentemente da evolução económica e financeira, estamos a aproximar-nos da rutura política. Os últimos anos foram muito angustiantes, e continuam a sê-lo, porque raras vezes o debate público foi tão inadequado perante os desafios de um tempo histórico. Os termos dos argumentos estão mal postos: a questão não é “mais Europa” contra “menos Europa”, não é federalismo contra soberanismo, não é sequer sair do euro contra ficar nele. Continuar a ler ‘O que está em jogo’