Generais contra viúvas

Pois é: se não existisse, este governo teria de ser inventado. Só não precisava de ter sido inventado para nós. E, pior ainda, por nós. Se não existisse, este governo teria de ser inventado. Só este governo conseguiria ser apanhado a pedir desculpas agenerais angolanos enquanto rouba velhinhas em Portugal. Nem nos filmes. O pedido de desculpas aos generais angolanos tem sido entendido como uma caturrice de um político destreinado como o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Que nada. Pelo que me é dado entender, o Ministro dos Negócios Estrangeiros não tem nada de destreinado, e neste particular limita-se a seguir a política do seu antecessor, Paulo Portas, que consistia em ativamente lamber as botas de qualquer oligarca estrangeiro que queira investir dinheiro em Portugal. Não há nada de subtil nem sofisticado nessa política. Um dos elementos centrais desta política chama-se Visto Dourado, o que até rima com Apito Dourado. E funciona assim: se você for cidadão estrangeiro, e tiver meio milhão de euros para “investir” em Portugal, o governo dá-lhe um visto hiper-rápido e com super-poderes, com possibilidade de chegar mais depressa à nacionalidade portuguesa. Detalhe: não perguntamos de onde vem o dinheiro. Se você for cidadão estrangeiro, e tiver trabalhado no duro durante anos, pagando impostos portugueses, segurança social portuguesa, ou fazendo estudos em Portugal, ponha-se na fila e espere pacientemente.

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