O re-reviralho

A política portuguesa tornou-se um desporto de espectadores. O Portugal político passou a viver, de há uns tempos a esta parte, numa espécie de versão atualizada do reviralhismo — não o reviralho que lutou como possível contra a ditadura no seu início, mas o reviralhismo de décadas posteriores, impotente, conspiratório, ineficaz. Chamemos-lhe o re-reviralho. Também agora a política do estado é imposta contra a vontade e opinião da maior parte dos cidadãos. Também agora a oposição vive de esperanças e frustrações, momentos simbólicos de resistência, muitas rivalidades e vigilância mútua, mascarando mal a incapacidade de mudar definitivamente o rumo das coisas. Também agora se espera (ou esperou) que uma demissão de um ministro, uma intervenção do presidente, uma desinteligência entre os partidos da coligação, abram uma frincha pela qual pudesse passar a queda do governo. E depois da queda do governo, ninguém sabe exatamente o que aconteceria.

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