Riem-se, porque eles um dia disseram: “sabem o que é preciso, para fazer política a sério?” — “abrir um banco”. Escrevo estas linhas numa aldeia ribatejana de fim de estrada, onde só se escuta a camioneta da carreira, até ao dia em que acabarem com isso também. E, no entanto, até aqui os ouço. Riem-se na minha cara. Riem-se na cara de todos os intelectuais, bem intencionados, politizados desde a nascença, que passaram a vida a dizer aos amigos: “sabes o que era bom, para mudar o mundo?” — “abrir uma editora”, “abrir um jornal”, “abrir uma universidade”, “criar um partido”, “fundar um centro de estudos”. Riem-se, porque eles um dia disseram: “sabem o que é preciso, para fazer política a sério?” — “abrir um banco”. E a partir daí foi só rir. Riram-se na sua cara quando fundaram o BPN, como uma espécie de Herdade da Coelha das instituições financeiras, um lugar confortável para quem tinha estado no PSD e no governo do Professor Cavaco.