Eis-nos, neste breve exemplo, perante uma das disfuncionalidades da democracia portuguesa. Podemos, é claro, escolher livremente, desde que escolhamos entre aquilo que os aparelhos partidários já mastigaram. Como evitar que a nossa democracia sofra o mesmo destino das experiências anteriores — o liberalismo e a Iª República, que soçobraram no clientelismo e na partidocracia — é a pergunta essencial a que teremos de dar resposta nos nossos dias. Começo hoje com um exemplo local, e nas próximas crónicas tentarei demonstrar como se pode refundar a democracia portuguesa a nível nacional e europeu. A cidade do Porto, segunda maior do país, já foi um grande laboratório político para a nação. No princípio do século XIX, o liberalismo entrou no continente pelo Porto. No fim do século XIX a República poderia ter feito o mesmo caso a revolta republicana do 31 de janeiro de 1891 tivesse tido sucesso. No próximo ano, o atual presidente da cidade abandonará a Câmara Municipal por ter atingido o máximo de mandatos; a acreditar no que dizem os jornais, as coisas encaminham-se para que ele seja substituído pelo presidente de Gaia, rival do mesmo partido.