Um governo com um mínimo de sentido de responsabilidade, mesmo que sem dinheiro, estaria a pensar como preservar este laço, num momento em que (mais do que nunca) é importante que a voz portuguesa não se cale, e que os portugueses ouçam a voz europeia. Se há coisa que se tornou incontestável, é esta: a importância da Europa para o futuro próximo de Portugal. (Há anos, tinha amigos que me diziam “não escrevas tanto sobre a Europa, pá — ninguém quer saber”. Hoje toda a gente quer saber, e esses amigos escrevem sobre a Europa todas as semanas.) E no quadro dessa evolução incontestável, que faz o governo? Decide acabar com as emissões em língua portuguesa na Euronews. Ah, mas diz o leitor. Não há dinheiro. Não podemos certamente dar-nos a esse luxo. E eu pergunto-lhe: quanto custa ter emissões em português na Euronews? Um pouco menos de dois milhões de euros (os fogos de artifício na Madeira custam três milhões).