Cada passo na zona euro se mede agora em dias. No fim da Idade Média um teólogo chamado Jean Gerson, então famoso, e agora obscuro, insurgiu-se contra a decadência do poder dos bispos no seu tempo. Esses bispos, que ele via como descendentes diretos dos apóstolos, tinham deixado ultrapassar-se por duas realidades distintas, cada uma com a sua fonte de poder: o Papa, por um lado, e por outro lado os reis. Estes desenvolvimentos recentes (em termos teólogicos, ou seja, tinham demorado os mil anos anteriores para acontecer, que até Santo Agostinho estava tudo bem) eram para Jean Gerson deploráveis. Os bispos representavam para ele “a” Igreja, a comunidade entre o rebanho de Cristo e os seus pastores; eles tinham uma legitimidade no tempo, que lhes tinha sido dada por Cristo, e no espaço, por estarem próximos dos fiéis. E em apenas um milénio o Papa, que Gerson considerava apenas um bispo entre outros (Bispo de Roma) tinha-lhes retirado o poder espiritual, monopolizando-o para ele. E os reis em toda a Europa tinham tomado para si o poder político, tomando-o através da força das armas.