Em quem voto e porquê

Era há uns tempos lugar-comum entre os anti-bloquistas dizer que o BE era um partido com imagem de moderno e um programa extremista, que pouca gente lia. Parece-me que é o contrário que se passa: o BE tem uma imagem de extremista e um programa moderno, que vale a pena ler. Não deverá surpreender ninguém que eu vote no Bloco de Esquerda nas próximas eleições; as razões por que o faço, porém, talvez interessem aos leitores. Tendo em conta que os problemas da esquerda portuguesa foram sempre principalmente de atitude — e permanecem extensivos a todos os partidos em causa — deixem-me arrumar os meus argumentos em dois campos: diagnóstico e programa. O irresponsável contexto que provocou a crise global em que vivemos é hoje bem conhecido e o seu diagnóstico é hoje partilhado por muita gente, à esquerda e até fora dela. Mas é mais fácil fazê-lo agora do que ter resistido às seduções do neoliberalismo durante os últimos vinte anos, período em que o centro-esquerda soçobrou e de que ainda não recuperou, desde logo porque recusa qualquer reconhecimento e arrependimento dessa deriva. O exemplo desta diferença faz-se no diagnóstico “micro”. É justo lembrar que o BE sempre criticou, com vigor, o puro despesismo e irresponsabilidade das parcerias público-privadas e, para dar outro exemplo, recusou a selva de isenções na nossa fiscalidade, mesmo quando perdeu votos com isso

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