Tempos sem tração

E agora tudo se desfaz. Três países do euro já lá vão sem que a União saiba o que fazer à sua moeda. O FMI um dia destes deveria abster-se de intervir fragmentos da União enquanto a União não decidir sobre o que quer ser. A maior parte das pessoas procura termos de comparação em vida para o que vai acontecendo. Vidas longas, ou mesmo vidas de jovens adultos, viram suceder coisas suficientes para nos irmos guiando. Quando o que vivemos não chega, procuramos termos de comparação nas coisas que nos contaram, ou procuramos na história longa, registada nos livros. Esta é a forma que temos para agarrar no presente contínuo. Sem termos de comparação, não conseguimos tração sobre os nossos próprios tempos. Em situação normais, isto não é grave. Somos suavemente impelidos para o futuro e — embora as tecnologias, as personagens e as modas mudem — a linha de tendência parece fazer sentido. Em situações anormais, acontece o que acontece a um carro na lama. Experimentamos explicações, ideologias e líderes como quem mete tábuas debaixo das rodas, à procura de uma que resulte. Deslizamos, rodamos no vazio; e quanto mais nos esforçamos, mais nos afundamos. Este não é um problema da economia nem da política; é um problema da cognição humana, sem a qual não se resolve a economia nem a política pela nossa agência. Nós precisamos de entender para resolver. Caso contrário, as crises, os conflitos e as guerras acabam por resolver por nós — e contra nós.

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