Redundâncias

Se a soberania for como a virgindade, isso significa que podemos perdê-la sem que outrém a ganhe. Tenho um peso na consciência. Na última crónica usei a certa altura a expressão “pessimistas jeremíadas” para me referir às crónicas de Pacheco Pereira, Pulido Valente e Miguel Sousa Tavares. Peço desculpa. Trata-se de uma redundância: uma jeremíada é, por natureza, pessimista. Ainda tentei corrigir enviando uma emenda de última hora para “amargas jeremíadas”. Felizmente, não fui a tempo: uma jeremíada é sempre amarga; outra redundância. Quais eram as opções corretas? Repetitivas jeremíadas. Preguiçosas jeremíadas. Em última análise, redundantes jeremíadas. Descobri no outro dia que há autores sérios de ciência política (Neil McCormick, num livro chamado Questioning Sovereignty) que se perguntam se a soberania é como a propriedade ou a virgindade. A pergunta vem de outros autores mais sérios ainda, em particular Hegel, e explica-se em duas frases.

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