Pois é: os salários são um custo. Mas também são uma fonte de procura. “Quer perder vinte quilos de uma vez?” — diz a velha anedota, e responde: “corte uma perna!” Nesta altura do campeonato já não espanta que a opinião dominante no nosso país seja uma versão desta anedota em teoria económica. Vários economistas, tão vociferantes quanto insistentes, pretendem que Portugal precisa de medidas radicais para resolver os seus problemas do défice e da dívida. A solução proposta, com ar de quem não faz mais do que anunciar o inevitável, é cortar nos salários dos portugueses. Que tal dez por cento para começar? À primeira vista, faz sentido.