Uma história plausível não é nunca suficiente para condenar um cidadão, mas é mais do que suficiente para fazer um primeiro-ministro perder a confiança dos outros cidadãos. Então é assim que Sócrates acaba. Faz sentido. A imprensa foi sempre a sua grande fraqueza e — pelo menos após o “caso da licenciatura” — a sua grande causa de descontrole emocional. Várias vezes ele foi prevenido, mas de nada serviu. E assim se perdeu. Não gosto de ver isto acontecer. Tenho amizade por Sócrates — se é adequado escrevê-lo aqui importa-me agora nada. Sócrates é de centro-esquerda, o que significa que estando eu muito à sua esquerda, significa também que ele não é completamente alheio à minha “família”. Não retiro nenhum prazer da sua queda, e Zeus sabe como já me diverti a ver cair outros políticos. E acima de tudo, sinto-me absolutamente exterior a uma agressiva arena feita de “anti-socráticos” para quem tudo vale desde que atinja em cheio o alvo do seu ódio e de “socráticos” para quem nunca nada se passa de errado, nada é irregular, nada se pode saber nem comentar. Nem esclarecer: se formalmente só há o “nada”, como se pode esclarecer o nada? Para uns nenhuma formalidade vale, para os outros só as formalidades valem. Ouçam, uns e outros: