Há povos que são profundamente indiferentes ao que os outros acham deles. Não é o caso dos brasileiros (nem dos portugueses) que vão dar tudo por tudo para não ficar mal na prova olímpica. Nos slogans publicitários está muitas vezes a admissão daquilo que sabemos que não somos. Aqui há uns anos, o slogan do Rio de Janeiro era “Rio, o Coração do Brasil” — aquilo a que um político português dotado de chamou uma vez uma “meta aspiracional”. Uma meta aspiracional quer dizer: algo que não somos, e que não temos certeza de poder vir a ser. O Rio de Janeiro, no fundo, sabia que já não era “o coração do Brasil”. Por isso tentava publicitar-se enquanto tal. Já não era o coração político do Brasil, uma vez que perdera a capitalidade para Brasília. E não era o coração económico do Brasil — mesmo os cariocas mais ferrenhos sabem que é de São Paulo, através das estradas e linhas aéreas do país, que se bombeia o sangue industrial, comercial e de serviços que sustenta o país. Pior ainda, o Rio de Janeiro tinha começado a duvidar que fosse ainda o coração cultural do Brasil.