Pela sua história, língua, dimensões e pelo simples facto de a América portuguesa se ter mantido unida num só país, o Brasil é um caso à parte. México. — Este é o país que mais sofreu com a crise. O número de pobres aumentou de seis para dez milhões, um Portugal inteiro. Metade dos novos pobres da América Latina estão agora aqui. O México está a pagar o preço de ter apostado todo o seu futuro num só país, os Estados Unidos, que são o seu grande vizinho do norte. Quando a bolha do imobiliário rebentou na Califórnia, as ondas de choque atingiram em primeiro lugar os mexicanos; os jardineiros ou as empregadas domésticas que trabalhavam em San Diego ou Los Angeles voltaram cruzar a fronteira para Tijuana; as famílias para quem eles enviavam dinheiro tiveram de apertar o cinto; os sectores que exportavam do México para os EUA enfrentaram uma contracção da procura. Pôr os ovos todos no mesmo cesto nunca foi boa ideia — lembram-se de quando as três prioridades externas de Sócrates eram Espanha, Espanha e Espanha?