Se não sabem, perguntem

  Não estou a dizer que vai acontecer. Não estou a dizer que deva acontecer. Mas a minha impressão é a de que — se vier a acontecer — tudo mudou.   As análises de como é impossível, cansativamente impossível, haver convergência de esquerda já estão todas feitas. Poupemos tempo ao leitor.   O que até agora ninguém fez foi sentar-se para pensar em quanto poderia valer um futuro partido de Manuel Alegre, se coligado ao Bloco de Esquerda. Contas por baixo, eu diria que para lá de quinze por cento, com vinte a trinta deputados no parlamento. Isto significa o dobro do PCP, três vezes mais do que o CDS, e talvez metade do PSD. Significa ser o terceiro partido, destacado, provavelmente impossibilitar a maioria absoluta do PS, e retirar-lhe sequer a possibilidade de fazer governo com o CDS (mesmo que matematicamente possível, seria suicidário juntar-se ao provável último partido nas eleições, escancarando assim as portas às críticas da esquerda em crescendo). Numa situação dessas restariam duas hipóteses a Sócrates.

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