Surpresas, reviravoltas e tuites contra potências nucleares. De uma série nos anos 80 à eleição de Trump na minha crónica de ontem.sopa

“Um jovem jornalista senta-se comigo para um copo e uma conversa e abana a cabeça, desolado. “As notícias estavam aí, foram publicadas e eram conhecidas”, diz, “como podem não ter feito diferença e as pessoas agora fingirem-se surpreendidas?”. As conversas que tenho nestes dias enquanto me preparo para regressar a Portugal começam quase todas assim: toda a gente tem uma instituição na qual acredita — o jornalismo, a independência judicial, o estado de direito, a existência de uma oposição, a constituição federal — e cada um procede confessando o seu receio, às vezes a sua quase certeza, de que essa instituição já falhou ou vai falhar no futuro. Os americanos, tal como os russos e os turcos e os húngaros e muitos outros no passado — por vezes com grande ajuda do aparelho de estado dos EUA — vão percebendo como as instituições democráticas são na verdade extraordinariamente vulneráveis quando há uma vontade política persistente em fazê-las desmoronar.

Tudo isto teria mais valor pedagógico se fosse só uma telenovela. Mas quando o tuíte matinal de Donald Trump é um ataque verbal sem precedente à China — em que Trump comete o lapso de escrever “sem presidente” em vez de “sem precedente” — e nos apercebemos, precisamente por causa desse lapso só corrigido 90 minutos depois, que ninguém lê ou aconselha o presidente-eleito antes de ele atacar perante milhões de pessoas outra super-potência nuclear, aí a coisa fica mais séria. Já houve guerras que começaram por mal-entendidos, e noventa minutos pode já ser tarde de mais para mandar os mísseis voltarem para trás.”

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