Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!

Salgueiro Maia, em Santarém, há quarenta anos.

2 thoughts to “As 59 palavras que mudaram Portugal

  • o senhore doutore engenheiro tá enquivacado o Paiz está na mesma ou peor já Angola e a coreia do norte estão muito melhore regimes há muitos

    A REVOLUÇÃO MONARCHICA – TRAVESSA DO FALA SÓ Nº24 EDIÇÃO DE AUTHOR ALFREDO PIMENTA – DIZIA HOMEM CHRISTO QUE DADA A IGNORÂNCIA E O DESMAZELO RELAXADO QUE FOI O QUE A MONARCHIA LEGOU ÀS CLASSES MÉDIAS, A REPUBLICA COMO FORMA DE GOVERNO HA-DE REPRODUZIR TODOS, ABSOLUTAMENTE TODOS OS FRACASSOS DA MONARCHIA …NA ESSENCIA O PAIZ FICARÁ O MESMO . QUE DIGO EU? FICARÁ PEOR E DIGAM-ME SE A CONTINUAR NO EXERCITO ESTE ESPIRITO ANARCHICO ELLE NÃO É UM PERIGO PARA A INTEGRIDADE DESTA REPÚBLICA EM 1919 COMO O FOI PARA A DE CÉSAR NO ANO DE 44 ANTES DO OUTRO CHRISTO…..

    Pensamos que chegou o momento de podermos emittir a nossa opinião

    sobre os acontecimentos politicos de janeiro passado.

    Mantivemo-nos, até agora, Num silencio absoluto,

    não só para não perturbar as digestoens
    republicanas^ mas também para que as situa-
    çoens mais claramente se definissem. Vários mo-
    mentos houve em que tivemos desejo de appare-
    cer em publico. Mas a imprensa monarchica
    estava suffocada^ e a outra, mesmo a que não
    é jacobina., é essencialmente medrosa. Nem
    mesmo pudemos sacudir uma aleivosia torpe
    que num papel grotesco, um bobo decrépito e
    grosseiro, a nosso respeito insinuou^ um dia que
    quiz erguer a voz no Becco equivoco onde vege-
    tam os da vida airada . . .

    Agora que as situaçoens se definem, entende-
    mos que não devemos por mais tempo occultar o

    nosso pensamento^ tanto mais que a desorienta-
    ção dos espiritos monarchicos me está dando a
    impressão de catastrophe.

    Ha que unir fileiras á volta do Rei, os olhos
    postos no superior e eterno Interesse Nacional^
    na pessoa do Rei symbolisado, esquecidos os
    pequeninos e contingentes incidentes de ordem
    pessoal.

    2, Outubro, 1914,

    A. P.

    26, Fevereiro

    A questão política continua em equação, á es-
    pera de uma resolução positiva, normal e definida.
    O Equívoco nacional, aggraVado com o advento do
    regime republicano, mantem-se. A crise nacional
    que o liberalismo anarchico de um constitucionalis-
    mo de importação creou, attingio uma phase aguda
    e doentia. O problema da Ordem, supremo proble-
    ma do paiz, não encontrou forças que o resolves-
    sem, nem homens que pudessem dar-lhe o equilí-
    brio conveniente.

    A situação republicana gerada pelos intuitos e
    pela vontade de Sidónio Pais, fracassou e morreo
    estrangulada ás mãos da demagogia organizada. A
    dissolvencia dos caracteres accentuou-se. A impo-
    tência das intelligencias attingio a sua máxima evi-
    dencia. Não ha Governo. Não ha Lei.

    E no entretanto, um momento houve em que seria
    fácil conduzir o Paiz àquella estabilidade, àquella
    concórdia, àquella calma que são as condiçoens es-
    senciais da sua Vida normal.

    Uma vez assassinado o Presidente Sidónio Pais,
    o caminho lógico, intelligente, seguro, era só um :
    o da restauração das instituiçoens tradicionais por-
    tuguezas, em moldes diversos dos que ellas tinham
    em 5 de outubro de 1910. Bastava, para se conse-
    guir pacificamente esse desideratam, que os ele-
    mentos sidonistas, convencidos da fatalidade dos
    factos, e da fragilidade das chimeras românticas,
    tivessem, nessa occasião, dado força ás forças mo-
    nárchicas, e, repetindo, para a Monarchia, o que
    nós fizermos, durante a Vida do Presidente morto,
    para a República, collaborando com ellas na elimi-
    nação do regime republicano incontroversamente
    incompatível com as conveniências nacionais.

    Não quizeram. O resultado desse erro está ahi
    patente aos olhos de todos, para que seja preciso
    estarmos nós a forçal-o e a accentual-o. Nunca
    fomos revolucionários, porque sempre nos repugna-
    ram as allianças, os disfarces, as habilidades a que
    é preciso recorrer para se effectuar uma revolução.

    Um movimento militar, ordenado, disciplinado,
    orientado de cima para baixo, foi sempre o nosso
    processo. É talvez demorado ; mas é, sem dúvida,
    certo. Quiz ganhar-se em tempo o que se perdeo
    em viabilidade. D’ahi, o desastre.

    Mas a causa monarchica, sendo uma causa ven-

    cida, não é uma causa perdida. Só são perdidas as
    causas restrictameníe partidárias. E a causa mo-
    narchica é profundamente uma causa nacional.

    No domingo, 19 de janeiro, á 1 hora da tarde,
    estávamos nós no Largo das Duas Egrejas com
    um dos mais combativos e decididos jornalistas da
    Monarchia, combinando a nossa acção parlamentar
    do dia seguinte, quando o governo Tamagnini Bar-
    boza se apresentasse, como esperávamos, ás Câ-
    maras, a relatar os acontecimentos sediciosos de
    Santarém. As nossas palavras e os nossos projec-
    tos não eram de quem^presumia que meia hora de-
    pois, no Porto, se restaurasse a Monarchia. Troca-
    mos as nossas impressoens sobre a atitude que a
    minoria monarchica devia assumir, na hypothese do
    governo Tamagnini Barboza se inclinar para favo-
    recer as pretensoens das esquerdas, e partimos, cada
    um de nós, ao seo destino. Fui dar umas Voltas. E
    ao chegara casa, contaram-me que uma senhora das
    minhas relaçoens me avisara, informada por um po-
    lítico democrático, de que no Porto estava procla-
    mada a Monarchia. Não acreditei. Attribui tudo a
    boatos maléficos, destinados a desorientar a opinião
    conservadora, a agitar e irritar a opinião republi-
    cana extremista e jacobina. E á noite, sahi, muito
    tranquilamente, muito socegadamente, e fui a um
    animatógrapho vêr uma tragedia desempenhada pela

    10

    Pina Menichellie. A’s onze e meia, deixei a casa de
    espectáculos e fui, ao Rocio, tomar carro para casa.

    Não sendo bohemio, nem noctámbulo, não conhe-
    ço muito bem a phisionomia do Rocio, àquellas ho-
    ras da noite, mas achei-ihe um ar extranho, agita-
    do, nas poucas pessoas que por alli andavam. En-
    contrei o então governador civil substituto de Lisboa,
    e dirigi-me a elle a perguntar-lhe se havia novidade,
    tanto mais que por mim passava, apressada e preo-
    cupada, uma força de polícia. Esse funcionário dis-
    se-me ao ouvido : «Vá para casa, metta-se em casa,
    que proclamaram, hoje, a Monarchia, no Porto ! »

    Eu não comprehendia. Elle insistio : «Vá para ca-
    sa .. . Vá para casa …»

    Ao chegar a casa, o telephone não cessava de me
    chamar. De todos os lados me perguntavam o que
    havia. E eu só sabia dizer o que me tinha sido dito.

    No dia seguinte, os jornais davam notícia da pri-
    são do Sr. António Cabral, meo coUega na Câmara,
    e annunciavam novas prisoens. Para evitar qual-
    quer violência estúpida que demais a mais podia im-
    pedir que eu prestasse os serviços que de mim fos-
    sem exigidos por quem da direito, sahí de casa, e
    recolhi-me a casa amiga. Ninguém, da parte de quem
    podia fazel-o, me procurou. E eu estive quieto á es-
    pera dos acontecimentos.

    Na quinta-feira, de manhã, entravam, alvoroçada-
    mente, na casa onde me encontrava, mensageiros
    domésticos a dar-me a nova de que na Serra de Mon-
    santo estava desfraldada a bandeira azul e branca,

    11

    com forças militares e elementos civis. Dizia-se que
    acompanhava essas forças o Sr. Conselheiro Ay-
    res de Orneilas, meo director no Diário Nacional,
    leader do meo partido, e meo amigo. Pensei em sahir
    de casa, e ir para Monsanto. Mas não sabendo ao
    certo quem lá estava, não tendo sido avisado de nada,
    de nada servindo a minha pessoa num reducto guer-
    reiro, onde só poderia embaraçar, deixei-me ficar.
    Como nunca qualquer espécie de ambição poh’tica
    me determinou, em nada seria prejudicado pelo facto
    de não poder dizer que estivera em Monsanto. Cus-
    taVa-me apenas não estar ao lado de Ayres de Or-
    nella, correndo, ao seo lado, os riscos do que eu con-
    siderava aventura perigosa, um sacrifício nobre sem
    dúvida alguma, mas, em face do ponto a que as
    coisas tinham chegado em Lisboa, destinado a in-
    sucesso immediato.

    Mas se não me chamaram, se não me avisaram,
    para que havia eu de apparecer onde não me tinham
    chamado, e para que não me tinham avisado?

    Fiquei, pois, a assistir ao desenrolar dessa trage-
    dia, chorando lágrimas de desespero e amargura, ás
    escondidas, para que não m’as vissem, gelado de an-
    ciedade, ora acalentando, durante segundos, as maio-
    res esperanças, ora cahindo, durante horas, no mais
    desconsolado desespero. Que amigos meos lá esta-
    riam em cima, sofírendo e morrendo, sob a chuva
    de balas, sob um sol glorioso, recebendo no peito a
    metralha furioza que de todos os lados lhes era en-
    viada pelas forças republicanas? Que amigos meos,

    12

    longe de mim, estariam dando a Vida por um ideal
    commum, para cuja realização eu trabalhara annos
    incansáveis, com o melhor da minha intelligência e
    da minha vontade e da minha fé ? Que amigos meos
    estariam lá em cima, à luz de um sol claro de inverno
    primaveril, dando o seo sangue generoso e forte pela
    libertação da Pátria, na agitação da lucta, no fragor
    do combate — emquanto eu, espírito combativo e
    ardente, me via inerte, inactivo, preso e inútil ?

    Só eu sei as horas amargas desses dois dias trá-
    gicos, contadas segundo a segundo— a segundos que
    pareciam séculos infindáveis !

    Á noite, a imprensa republicana Vinha cheia de
    calúmnias miseráveis, de injúrias indignas, de insul-
    tos infamantes, contra esses bravos luctadores, mui-
    tos delles amigos meos, homens de brio e honra . . .

    Depois, a derrota, o assalto, o sol morrendo, a
    noite cahindo, e a minha alma que se envolvia na
    amargura mais cruel e mais esmagadora . . .

    E a mim próprio eu me queixava, porque não me
    tinham avisado, porque não me tinham dito, para que
    eu pudesse, junto d’elles, desses que soffriam, sof-
    frer também.

    Sim ! Porque eu que não sou capaz de descobrir
    as razoens estratégicas e políticas que levaram as
    forças militares monarchicas a escolher para ponto
    de concentração o forte de Monsanto ; eu que se
    tfvesse sido consultado, outra orientação, bem di-
    versa, bem opposta, teria dado a esse gesto da au-
    dácia ; eu que teria discordado do momento e do

    13

    lugar, — eu, se meia hora antes de se partir para
    Monsanto, tivesse sido avisado, teria ido também,
    não para vencer, não para combater, porque não sei,
    mas para soffrer com os meos companheiros, e prin-
    cipalmente, junto do representante do Rei, correr os
    riscos certos da jornada estéril.

    No dia seguinte, os meos olhos vermelhos das lá-
    grimas iam lendo os nomes dos amigos que, segundo
    os jornais de então, o Destino quiz que fossem ven-
    cidos em Monsanto, e presos pelas forças republica-
    nas : Ayres de Ornellas, figura de nobreza moral
    como raras ; Azevedo Coutinho, bravo e audaz ;
    Solano de Almeida, enérgico e decidido ; José de
    Sucena, ainda hontem sabido de um Sanatório, já
    hoje misturado na pêle-mêle de um combate, corajo-
    so e cheio de fé ; António Hintze, cuja grave melan-
    cholia não quebra a firmeza ; Reis Torgal, Alberto
    Monsaraz — almas carinhosas recebendo os sacrifí-
    cios com sorrisos ; João Moreira de Almeida, cheio
    de ingenuidade e perseverança ; Simoens Cantante,
    dedicado como poucos ; Pequito Rebello, audaz até
    a loucura ; Conde d’Arrochella, Costa Pinto, Gus-
    tavo Ferreira Borges, Eugênio de Araújo, — almas
    em quem nunca encontrei um desfallecimento, a som-
    bra de uma hesitação, promptos sempre aos maio-
    res riscos.

    E quantos outros, quantos outros que a minha pena
    não descreve — porque todos elles cabem dentro de
    duas palavras : nobreza e corajem ! E a estes ho-
    mens, uns ricos e bem nascidos, bem amados da

    14

    Vida e da fortuna, outros Vivendo do labor diário
    do seo braço, sacrificando, aqueles, os prazeres da
    vida, sacrificando, estes, o seo pão e o seo lar, foi
    a estes homens que a imprensa republicana de Lis-
    boa, na hora em que cahiram vencidos, injuriou,
    ultrajou, insultou e aggravou !

    Ainda hoje não sabemos quem são os responsá-
    veis directos, os dirigentes effectivos, reais, do mo-
    vimento do Norte. Elle foi feito sem que fossemos
    consultado, e estamos absolutamente convencido
    de que elle se planeou e executou sem que fosse
    ouvido o supremo representante do Rei, que certa-
    mente não procederia, em acontecimento de tal mag-
    nitude, sem ouvir, primeiro, que mais não fosse a
    título consultivo, os seos collegas parlamentares e
    jornalísticos. Responsabilidades morais mesmo, em
    boa justiça as não temos, nós que nunca fomos re-
    volucionários, e que, quanto ao processus de tor-
    nar effecíiVa e realizada a causa monarchica, temos
    as nossas opinioens de que não abdicamos ainda.

    Trabalhamos, sim, e com fé, com tenacidade, e
    empregando o melhor do nosso saber, — para que
    se criasse uma opinião pública monarchica, orien-
    tada, disciplinada, convergente ; trabalhamos, sim,
    para que todos os elementos monarchicos se con-
    jugasem, se unissem e se animassem ; trabalhamos,
    sim, para que fosse possível restabelecer-se um
    ambiente favorável á restauração das instituiçoens
    tradicionais; trabalhamos, sim, para que os senti”
    mentos orgânicos da nação se robustecessem e fos-

    16

    sem estimulados ; trabalhamos, sim, para que o sen-
    timento monarchico fosse uma realidade e não uma
    abstracção. Mas todo esse trabalho foi feito ás cla-
    ras, na imprensa e na conferência, visando as in-
    lelligências e as Vontades, preocupando-nos mais a
    creação do sentimento monarchico, do que a des-
    truição ou o desprestígio das instituiçoens republi-
    canas. E seria injustiça de que não somos capaz,
    deixar de affirmar que a orientação do nosso tra-
    balho era carinhosamente acolhida e favorecida pelo
    representante de S. M. El-Rei.

    E não podia ser outra a minha attitude. Eu Viera,
    ha perto, de quatro annos, para a Monarchia, tra-
    zendo licçoens de experiência e conclusoens de phi-
    losophia política, obtidas à custa de muita medita-
    ção, de muito estudo e de muito sacrifício. Eu não
    Viera para a Monarchia, por um simples prurido de
    ser monarchico. Eu Viera para a Monarchia, con-
    vencido da Verdade monarchica pela acção da Sciên-
    cia política e pelos ensinamentos dos factos, — co-
    mo sufficientemente demonstrei no trabalho publi-
    cado em que fiz a minha profissão de fé.

    Eu sou um espírito positivo^ e não um espírito
    negativo ; eu sou um conservador^ e não um revo-
    lucionário. Repugnam-me todos os actos de indis-
    ciplina ; quer dizer : repugnam-me todas as revolu-
    çoens. Posso soffrel-as : não as fomento.

    Por maioria de motivos, revoluçoens dispersivas,
    desorganizadas, incertas, condemno-as em absoluto.

    Isto não significa que eu abandone, no momen-

    17

    to crítico, os meos companheiros, e me tivesse afas-
    tado, em 19 ou em 25 de janeiro, se a vontade dei-
    les me tivesse vencido, e tivessem decidido ir por
    caminho que eu teria, ceríamente, reprovado.

    Avisado, prevenido, seguii-os-hia, tanto me sinto
    mais destinado ao sacrifício de que a recolher os
    fructos da victoria.

    Sinto, evidentemente, um infinito desgoslo, por-
    que vejo vencida a causa monarchica. Energias
    perdidas, vontades enfraquecidas, utilidades disper-
    sas, consciências alarmadas, espíritos desorientados
    — eis o balanço final e syníético do movimento;
    mas esse desgosto é agravado, se é possível agra-
    var-se um desgosto sem limites, com a constatação
    do que se tentava fazer da Monarchia, pelo que,
    nos poucos dias que ella viveo no Norte, se fez.

    Pois quê ? ! Pianea-se um movimento revolucio-
    nário de possível grande repercusão, que muito pos-
    sivelmente podia degenerar numa guerra civil feroz
    e perigosa — para se restaurar a Carta Constitu-
    cional ? Era para voltarmos aos moldes anárchicos
    de antes de 5 de outubro que tornaram possível
    essa data, que se trabalhava, que todos nós traba-
    lhávamos ? Era para restabelecer o liberalismo
    constitucional, com as suas supersíiçoens dispersi-
    vas, com as suas chimeras negativas, com as suas
    ficçoen-s democráticas, — que nós andávamos a
    luctar ? Era para restaurar uma Monarchia dege-
    nerada e falsa, que nós andávamos no bom com-
    bate ? Era para substituir um Rei sem coroa por

    2

    18

    um Presidente coroado, que nós andávamos na
    brecha pregando doutrinas sãs, estabelecendo prin-
    cípios úteis ? Era para voltarmos à nefasta políti-
    ca do Rei que reina mas não governa, do Rei-
    chancella, do Rei-abulico, do Rei-irresponsável,
    do Rei-phantasma, que nós todos nos andávamos a
    sacrificar dia a dia? Era para Voltarmos ao regime
    das clientellas, das camarilhas, dos grupelhos, das
    burlas eleitoraes, das conspiraçoens palacianas, das
    pressoens sobre o Rei, das chantages de corredo-
    res parlamentares, da farçada democrático-consti-
    tucional, que nós todos andávamos a alimentar es-
    peranças em melhores dias? Era para Voltarmos
    à Monarchia sem monárchicos que sepultou D. Car«
    los e atirou para o exílio com o Sr. D. Manoel, que
    nós combatíamos?

    Pois quê?! Ainda se estava nessa illuzão, nessa
    dissolvente cegueira,— a ponto de, logo, com pressa,
    com receio de que não houvesse tempo, se restau-
    rar a Carta Constitucional, fonte primária de Re-
    pública?

    Oitenta annos de realidade constitucionalista se-
    guidos de oito annos de experiência republicana,
    não bastavam para convencer a mentalidade portu-
    gueza, de que a Nação tem de procurar em mol-
    des differentes dos da Carta Constitucional, a sua
    organização política? Esse longo calvário de so-
    phismas não foi o bastante para nos desilludir, e
    dar ao nosso espírito um rumo diverso? Ainda há
    uem não esteja convencido de que o regime re-

    19

    publicano é filho directo do liberalismo constitucio-
    nalista?

    Pois quê ? ! HaViamos de voltar ao regime das
    facçoens e das intrigas, em que o Rei era cabeça
    de turco entre as ambiçoens dos políticos? HaVia-
    mos de regressar àquela atmosphera mephítica que
    nos envenenou, que nos subverteu, que nos anarchi-
    sou, que nos trouxe ao estado deplorável em que
    nos encontramos hoje? Desconhecemos porventu-
    ra que o hoje de hoje é filho de hontem ? HaVia-
    mos de continuar na situação estructuralmente re-
    volucionária que 1820 iniciou, e que 1910 consa-
    grou ?

    • Não ignoramos que as condiçoens actuais da po-
    lítica mundial exigem um regime político baseado
    numa constituição. Simplesmente essa constituição
    não poderia de maneira alguma ser a Carta Cons-
    titucional, — a não ser que quizessemos voltar ao
    Erro, regressar ao Mal, repetir a Aventura crimi-
    nosa.

    Noutra occasião, pudemos nós dizer o que pen-
    sávamos sobre quais deviam ser as bases do Esta-
    tuto fundamental da Monarchia (*)• Quem conheça
    esse nosso trabalho facilmente comprehende que
    não podíamos de maneira alguma sancionar uma
    revolução que tivesse por fim restaurar a Carta
    Constitucional. Para isso, não daríamos o nosso
    mais ligeiro voto. Para isso, não daríamos o nosso

    (i) Politica Monarchíca, 1.» vol., Lisboa, 1917.

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    Etiquetes de comentaris: E NO ANNO 44 ANTES DO OUTRO CHRISTO CÉSAR PREGOU A REPÚBLICA NA CRUZ E O POVO APLAUDIU NÃO ERA AQUELA A REPÚBLICA QUE QUERIAM UMA COM IMPERATOR ERA MAIS FINA

  • o senhore doutore engenheiro tá enquivacado o Paiz está na mesma ou peor já Angola e a coreia do norte estão muito melhore regimes há muitos

    o facto de portugal mudar sempre em Lisboa diz muito sobre o estado a que chegámos e nunca de lá partimos

    mudou? com 59 palavras? bolas inté o cónego mello com menos botou em fogo vivo dúzias de pardieiros que tinham sido palácios e quintas de brasileiros que ficaram só braseiros

    ELEGIA AO ABRIL QUE DÁ FERIADOS A DESEMPREGADOS – A MENSALIDADE EM DINHEIRO DAS PENSÕES ERA ESCASSA E MUITOS DOS CANDIDATOS NO ESTRANGEIRO TINHAM DE VIVER COMO RELES OPERÁRIOS – OS CONSULES PORTUGUEZES QUE NA MAIOR PARTE DAS TERRAS E DOS CASOS SÃO ALDRABÕES OU PUROS ORNAMENTOS DA VADIAGEM PARASITA
    É UM PAÍS DE PEDINTES ATÉ MESMO OS LADRÕES PEDEM ESMOLA

    DÊ-ME QUALQUER COUSINHA OU FURO-LHE O BUCHO

    PEDEM OS MENDIGOS DA RUA

    PEDEM OS MENDIGOS DA POLÍTICA

    PEDEM OS ESTUDANTES, OS PADRES, OS CAIXEIROS, OS ARTÍFICES

    PEDEM OS AMANUENSES PEDEM OS AGRICULTORES

    TUDO PEDE EM PORTUGAL

    PEDEM ATÉ A MALÉCAGEM DOS PREZÍDIOS E AS GUALDRANAS DA VIELA

    E COMO SE ESTE CARNAVAL DA PENÚRIA DROLATICA NÃO BASTASSE

    CONSTANTEMENTE CORREM OS BAIRROS BANDOS PRECATORIOS

    COM MUSICAS E CIDADÕES A APARAR NOS BALDES OS ULTIMOS 5 RÉIS

    QUE O POBRE E CREDULO LISBOETA SANGRA

    AINDA PARA AS VICTIMAS DA REVOLUÇÃO

    QUE POR ESTAS HORAS DEVEM ESTAR MAIS RICAS DO QUE EU…..

    o camarada deve estar desmemoriado

    se mudou assi tante deve tere sido em lisboa

    em Moscovo desde 1991 também mudou muito

    já no resto do império soviético mudou mudou mas pra peor

    cá em 40 anos produzimos muros inteligentes que matam pessoas estúpidas

    dantes enforcavam-se os porcos por homicídio de creanças

    devíamos ao menos fuzilar o muro

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