Os líderes europeus saem agora das cimeiras para declarar que estão descansados e que a crise finalmente acabou. Não, não é verdade — e as condições estão criadas para que ela seja pior ainda.

Se ainda tivéssemos capacidade para o escândalo, isto deveria chegar. Num único dia de dezembro passado o Banco Central Europeu disponibilizou 500 mil milhões de euros em empréstimos para os bancos europeus. Isto é mais do que o que foi emprestado à Grécia, à Irlanda e a Portugal em dois anos. Num único dia de março, o Banco Central Europeu decidiu reforçar a dose e os bancos europeus não se fizeram rogados: de assentada, tomaram mais de 500 mil milhões de novos empréstimos. E quem não o faria? O juro era de um por cento. Aos países pedem-se juros cinco vezes maiores, e mais.

Como bem sabemos, um país que recebe um empréstimo é obrigado a tomar medidas de austeridade, quer elas funcionem quer não. Com os bancos, passa-se o contrário: o Banco Central Europeu esforça-se por deixar claro que aqueles empréstimos são sem condições, que os prazos de pagamento foram triplicados e que, para os obter, qualquer garantia serve.

Um bilião de euros aos bancos, em dois simples dias, a um por cento, sem condições, com prazos alargados, com quaisquer garantias, sem nenhum sacrifício.

Para os países, com pessoas que ficam sem emprego, sem dinheiro e às vezes sem comida, qualquer empréstimo dez vezes menor é negociado a custo, com juros altos, sacrifícios inimagináveis, e décadas de penúria em prospectiva.

Se ainda houvesse capacidade de escândalo, isto seria o suficiente para sair à rua. Se houvesse capacidade de invenção, talvez devêssemos simplesmente mudar a constituição da república, dar ao país uma licença bancária, e ir a Frankfurt buscar dinheiro a um por cento. E, pensando bem, se houvesse capacidade política, deveríamos pôr a Caixa Geral de Depósitos, que é um banco do estado e tem acesso a estes empréstimos, a pilotar uma agência de recuperação e emprego.

Estes empréstimos, aliás, já nem merecem esse nome: são pedidos de joelhos para que os bancos aceitem a oferta por amor de Zeus. Como é evidente, acontecem por uma razão simples. Os bancos europeus estão falidos, como se confirmou pela sofreguidão com que acorreram ao dinheiro. Sem esta ação do governador do BCE, Mario Draghi, teria ocorrido um colapso do sistema financeiro europeu que faria a falência do Lehman Brothers, em 2008, parecer uma brincadeira de crianças.

O governador do Bundesbank, o alemão Jens Weidman, escreveu em protesto a Mario Draghi, provando que não há limites para a desfaçatez. O escândalo maior deste escândalo é que Jens Weidman, cujos bancos beneficiam do dinheiro do BCE, se dê ao desplante de reagir um dia depois da transferência estar feita.

Os bancos usam estes empréstimos para comprar títulos de dívida espanhola ou italiana, dando assim a impressão de que o contágio grego e português está contido. Mas esse dinheiro não chegará à economia real e as assimetrias entre países continuam a dilacerar o euro. Mais tarde ou mais cedo, só há dois desfechos: reforma do euro, incluindo eurobonds, ou colapso.

Os líderes europeus saem agora das cimeiras para declarar que estão descansados e que a crise finalmente acabou. Não, não é verdade — e as condições estão criadas para que ela seja pior ainda.

6 thoughts to “Não, ainda não acabou

  • Marco Aurelio

    Em Portugal, por volta de 2030, a situação portuguesa está estabilizada. A economia vai ser retomada nessa altura, e a caminha estará feita para a segunda rodada de corrupção lesiva da economia nacional ((( causar dano às produções nacionais, começando na agricultura, passando pela indústria e acabando nas pescas. Mas isso vocês já estão carecas de saber, não é assim??))) perpetrada pelo governo de 2030, independentemente do partido. Esta-nos no sangue.
    O português não aprende por ser isento de valores patrióticos. A nossa raça ainda está em desenvolvimento.
    A nossa distancia em termos de desenvolvimento mental ((valores)), dista dos islandeses por exemplo, aproximadamente 500 anos. Querendo ou não e infelizmente, o português, salvo algumas excepções, é um autentico energúmero. E isso reflete-se no desenvolvimento atual desta terra ( Terra da Guloseima), com uma constituição fabricada a preceito, com falhas propositadas, para proteger hoje e no futuro, os crimes de colarinho branco, que sabem tão bem… O último por exemplo foi descansar para França, digerir mentalmente os seus 400 milhões ((o que se soube)) com muita filosofia. Continua muito teatro e festejos na comunicação social, mas eu sei qual vai ser o desfecho. A seguir a França vai gozar para a América, aprender inglês filosófico. No fim volta para cá e continua gozando o dinheiro e já agora com os “saloios”, senão, não tem graça.
    Portanto, para resumir, o político atual não é nada mais nada menos, que um produto da sociedade portuguesa. Só vocês poderiam marcar a diferença e mudar o rumo cultural, mental e conceitual da nação. Mas não interessa, pois não???……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

  • Marco Aurelio

    ………….É genético….

  • Os bancos usam estes empréstimos

    Tal como os de 2008 para muita coisa.
    Nomeadamente para provisão contra défault de crédito.
    E se na Grécia foram só perdidos (110 mil milhões uma CAGADELA DE MOSCA que os fundos públicos Gregos de pensões e não só que eu me lembre ainda não aceitaram como perdas nos seus balanços

    E juros de 5% não se podem considerar usurários com uma inflação real que deverá atingir os 3% até 2013 (excepto se houver recessão mundial e a energia e algumas matérias primas fiquem mais baratuchas)

    Alguém diria que já acabou há 14 anos…ninguém reparou foi nisso
    Poderá arrastar-se por mais 14…se houver vontade política …yes

    é do carácter irracional da inconomia permitir (ou nã) isse

  • Os bancos usam estes empréstimos

    Pharmácias no Pireu athenas e Achaia (Ácadia) só em dinheiro…
    Naftemporiki (promessas de pagamento) de fundos de seguros gregos (que vão ser fortemente descapitalizados se aceitarem o perdão e que receberam crédito e transferências dos empréstimos de Dezembro no BCE)deixaram de ser aceites mesmo em quantias mínimas

    só a Ática (não é a editora)aceita o Tap Ote el TSMED (um ´Medis para os deserdados)
    ISAP DEH e Dikigorous Athinon mas apenas para um tecto máximo de 12 eurros o Trapeza Pisteos e o TSAY vão até aos 33 eurros? (diga 33?)
    600 farmácias em greve parcial e total até serem pagas…

    se tiverem 5000 e picos como nóis é significativo

    os fundos de seguros médicos estão kaputt logo alguns dos milhões vão para os bancos estabilizarem as perdas nestes fundos

    se há bancos que vão ganhar com isto na eurropa?
    claro que alguns irão recuuperar das perdas maciças da bolsa e de muitos fundos de invest com títulos de dívida CDS’s outra bom báim relógio que anda por aí
    e que estranhamente se deixou de falar….
    era interessante saber quantos credit défault há purr aí nas carteiras da banka eurropeiaaaa (e se calhar é milhor não)

    Boa Tempestade Solar ó EURrode(cá)pitado…jÁ agora inda ganham os 2000 contos ou 8 mil libras de 1992…ou já passaram dos 10 mil eurros e andam nos 15 mil?
    ê ia ber mas tamém quéquisse interressa..

  • Todos ao Pankrassio e fé em zeus

    Pensamentos de Marco Aurélio versão XXIº Século
    Atual segundo o acordo
    Algures atrasámo-nos 500 anos 1000 ou 5000 era muito
    A GENÉTICA DETERMINA a corruptela endémica aparentemente (e não pandémica como a gripe)
    acho que a culpa é da seca…desidrata a mioleira que é só aqua e esfingolípidos e uns cerebrósidos e…

  • Todos ao Pankrassio e fé em zeus

    As con dições do BCE têm estrangulado muita opção de crédito bancário
    logo con dicções houve muitas…que o diga o nosso Jo (Berardo não o Jõ Soares que esse ou é vosso ou é brasuka)

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