Telegrama. De: Dilma. Para: Merkozy. Texto: “inventem outra”.

Dá espasmos ler uma entrevista como a de António José Seguro ao Expresso deste sábado. Espasmos. António José Seguro vai abster-se no votação inicial do orçamento de estado e avisa já que se vai abster na votação final. Mas o que Seguro queria mesmo era poder votar a favor. É preciso controlar os espasmos, chegar ao fim da resposta seguinte. “Este não é o meu orçamento”, diz, “mas este é o meu país”. Precisamente: é este país que vai ser objeto deste orçamento. Costuma dizer-se do PCP ou do Bloco que não seriam capazes de votar a favor de nenhum orçamento. Seguro resume-se a isto: não há orçamento que ele seja capaz de votar contra. A meio, lá aparece um lampejo de lucidez: “os portugueses foram muito claros: querem o PS na oposição, deram-lhe 28%”. Pois foi. E sabes para que foi, Tó-Zé? PARA FAZER OPOSIÇÃO.

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Memorando para uma oposição consequente: “lixem-nos com equidade” não é um bom slogan.

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A meio de ler os jornais comecei a perguntar-me (não queiram saber porquê) o que aconteceria se Pedro Passos Coelho, António José Seguro e Paulo Portas se juntassem e tivessem um filho (não me perguntem como). A resposta: Vítor Gaspar.

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A União Europeia tem quatro-presidentes-quatro: Barroso, presidente da Comissão; Van Rompuy, presidente do Conselho; Tusk, primeiro-ministro polaco, presidente em exercício da União; Buzek, presidente do Parlamento Europeu. Já ninguém se espanta de ouvir falar, em nome da União, e sem perguntar nada a ninguém, uma criatura nova: o Merkozy.

O Merkozy falou em Cannes. O primeiro-ministro grego tinha cometido a “deslealdade” de pensar em realizar um referendo. O Merkozy estava em pânico: os gregos ameaçam-nos com a democracia (e já não é a primeira-vez)! E como num filme de gangsters, o Merkozy torceu o braço aos gregos, em direto e ao vivo: se querem o referendo, não vão ter o dinheiro.

Isto aconteceu, na semana passada, na Europa. Ao que chegámos.

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Eu, cronisto, me confesso: cada vez gosto mais da Presidenta Dilma, exceto neste disparate de querer ser chamada de Presidenta (se Dilma não pode ser “a presidente” eu não nosso ser “o cronista”). Dilma mantém as políticas de Lula, mas com duas diferenças de monta. Com Dilma, ministro corrupto está apenas a um telefonema do olho da rua. E com Dilma, acabaram as visitas de Ahmadinejad ao Palácio do Planalto.

Melhor ainda, só a resposta que Dilma deu a Merkel e Sarkozy e às suas ideias para transformar o Fundo Especial de Estabilização Financeira no maior ativo tóxico do mundo: “não tenho a menor intenção de fazer nenhuma contribuição direta para o FEEF. Nem eles têm, porque teria eu?”

Telegrama. De: Dilma. Para: Merkozy. Texto: “inventem outra”.

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