Vítor Dias pergunta-me o seguinte no Tempo das Cerejas sobre o caso do não-voto do PCP que no Parlamento Europeu ajudou a salvar Berlusconi:

«Lida a notícia e atentos os factos, só me apetece fazer uma pergunta: mas porque é que uma personalidade como Rui Tavares, antes de abrir a boca e começar a espadeirar publicamente contra os deputados do PCP, não os abordou directamente (devem estar bastante perto) e lhes perguntou com naturalidade: «então, o que é que passa, vocês abstém-se numa matéria destas ?». Para quem tanto fala e escreve sobre diálogo à esquerda, é caso para dizer que a boa educação e o diálogo bem podiam começar por aqui.»

A minha resposta foi esta:

«Caro Vítor Dias:

É evidente que foi isso que fiz. Logo que nos apercebemos que tínhamos perdido a resolução contra Berlusconi [de que eu era um dos co-autores] por três votos, o grupo da Esquerda Unitária (de que faz parte o BE, o PCP, e eu como independente no BE) ficou atónito ao ver que os votos que faltavam eram do nosso grupo e, no caso do PCP, de pessoas que estavam no hemiciclo e tinham acabado de votar dez segundos antes (e voltaram a votar dez segundos depois).

Logo que me levantei, a primeira coisa que fiz foi falar com João Ferreira (que está duas filas atrás de mim) e perguntar-lhe: “então João, que se passa? não votas uma coisa destas?”. Resposta dele: “problema com a máquina”.

Saí do hemiciclo e no corredor encontro Ilda Figueiredo (que se senta umas seis filas à minha frente). “Então Ilda, não me diga que também não votou isto?” E ela: “Houve um problema com a máquina”. E eu: “com as duas?! as vossas duas máquinas tiveram problemas ao mesmo tempo, a vinte metros de distância uma da outra?”.

Ilda não me respondeu. O Vítor Dias, que tem mais jeito para contas do que eu, pode tentar perceber qual é a probabilidade de que duas máquinas dos dois únicos deputados do mesmo partido, situadas a uma distância considerável uma da outra, sejam as únicas a falhar em mais de trezentos votos a favor da resolução, e mais de seiscentas máquinas utilizadas. A isso ainda se deve acrescentar qual é a probabilidade de os dois deputados ao mesmo tempo não terem feito o que se faz nestas ocasiões, que é avisar imediatamente a mesa, ainda antes de a votação estar concluída e o resultado anunciado, particularmente numa votação tensa com resultados em diferenças reduzidíssimas. Estariam os dois distraídos ao mesmo tempo?

Talvez. De facto, só depois de terem visto os resultados é que Ilda Figueiredo e João Ferreira fizeram a sua declaração segundo a qual votaram a favor (o que é incorrecto — a declaração fica registada mas o voto não conta) mas, contraditoriamente, afirmam que o debate “raiava a ingerência” na vida democrática italiana.

Não sei em que ficamos. Ficamos que Berlusconi, mais uma vez, se safou. Graças a um erro de um deputado anti-berlusconiano da lista de Di Pietro (Itália dos Valores) que se enganou e votou contra quando queria votar a favor, o que teria colocado a diferença a um voto. E graças a duas azaradas máquinas que decidiram não funcionar apenas naquele momento e apenas com os dois únicos deputados do Partido Comunista Português, que por acaso achavam que aquele debate “raiava a ingerência” na política interna italiana.»

43 thoughts to “Diálogo sobre máquinas azaradas

  • Nom_de_Guerre

    O desfasamento da realidade do PCP em relação a muitos assuntos não honra a sua boa dedicação a tantos outros…

  • Leo

    Reponho aqui o comentário que deixei ontem em O tempo das cerejas e a que o Rui Tavares não respondeu:

    Segundo o Rui Tavares: “E graças a duas azaradas máquinas que decidiram não funcionar apenas naquele momento e apenas com os dois únicos deputados do Partido Comunista Português, que por acaso achavam que aquele debate “raiava a ingerência” na política interna italiana. “

    Fico com curiosidade a aguardar no DN de 23/10 a contestação do Rui Tavares à afirmação do próprio DN de 22/10: “A resolução foi chumbada por 338 votos contra e 335 a favor. Apesar disso, mais quatro eurodeputados teriam votado a favor e um contra, caso o sistema electrónico não tivesse falhado.”

    E constato divertido o facto de na esquerda.net o Rui Tavares contar uma versão diferente. Diz ele “após ver o resultado, Ilda Figueiredo explicou-me que um ‘problema técnico’ tinha tomado conta da máquina dela e de João Ferreira”. Além de que na esquerda.net se divulga ainda: “Os dois deputados participaram na votação de mais de vinte propostas de alteração ao texto do PE, mas imagine-se que quando chegou o momento de votar a resolução política no seu conjunto, não conseguiram”, refere no seu blogue a correspondente do Público em Bruxelas, Isabel Arriaga e Cunha”.

    O curioso foi confrontar a notícia do Público de 22/10 com as afirmações destes dois colaboradores do Público (Isabel Arriaga e Cunha e Rui Tavares) no esquerda.net. No Público nem um nem outro ousaram repetir o que está no esquerda.net.

    E quanto à afirmação de que o debate “raiava a ingerência” na política interna italiana” sublinho que o próprio Arrastão tinha um link para a Declaração de voto de Ilda Figueiredo, de 21/10/09, sobre a Proposta de Resolução comum sobre a liberdade de informação em Itália e na União Europeia:

    “Votámos favoravelmente a resolução apresentada na defesa da liberdade de informação, porque somos pela defesa da liberdade de expressão e de informação, do pluralismo nos meios de comunicação social e contra a sua concentração. No entanto discordarmos de alguns aspectos desta resolução que raiam a ingerência na vida democrática de cada país, e temos as maiores dúvidas sobre uma possível directiva neste âmbito, designadamente tendo em conta a composição actual do Parlamento Europeu.

    A luta que fazemos pela liberdade de informação e de expressão, pela defesa dos direitos dos jornalistas e outros profissionais da comunicação social, pela defesa do acesso de todos à informação e pela garantia do seu pluralismo, não pode ser usada para dar cobertura a manobras partidárias que visam sobretudo a ingerência do Parlamento Europeu na vida interna dos países, utilizando dois pesos e duas medidas diferentes, conforme os casos interessam a uma ou outra força política.

    Por isso, também nos abstivemos nas propostas do PPE relativamente às questões da TVI em Portugal, apesar de ser conhecida a critica do PCP relativamente a esta situação em Portugal”.

    http://cache.tubaraoesquilo.pt/ficheiros/arrastao/2009/10/declara%C3%A7%C3%A3o-voto-Ilda-Figueiredo.pdf

  • Leo

    Diz Rui Tavares, nesta caixa de comentários: “Não sei em que ficamos. Ficamos que Berlusconi, mais uma vez, se safou. Graças a um erro de um deputado anti-berlusconiano da lista de Di Pietro (Itália dos Valores) que se enganou e votou contra quando queria votar a favor, o que teria colocado a diferença a um voto.”

    Disse Rui Tavares no http://twitter.com/ruitavares: “Berlusconi salvou-se por três votos no PE: dois deles eram do PCP” 4:03 AM Oct 21st from Echofon”

    Afinal qual é a versão correcta?

  • Augusto

    Ia dizer que o Rui Tavares lê-se a caixa de comentários do Tempo da Cerejas sobre este caso…é elucidativo da barragem de contra-informação que o PCP está a levar a cabo.

    Quando afinal a única coisa que o PCP deveria fazer era em comunicado dizer, como votaram os seus deputados, e porquê?

    E já agora clarificar toda esta historia das maquinas, e se os votos foram ou não , considerados como abstenção?

  • Leo

    Eu já virei e revirei o DN de hoje e não encontrei por lá nem nenhum desmentido, nem nenhum pedido de rectificação do Rui Tavares. Fosse a mim que alguém acusasse de caluniar e não perdia tempo a esclarecer. Ora foi essa a acusação que a Ilda fez com toda a frontalidade ao Rui Tavares e ele, népias.

    E foi também o DN de 22/10 que explicou que “A resolução foi chumbada por 338 votos contra e 335 a favor. Apesar disso, mais quatro eurodeputados teriam votado a favor e um contra, caso o sistema electrónico não tivesse falhado. Mas, explica o porta-voz do PE, “uma vez fechada a votação, o resultado não pode ser alterado, é contra as regras”.

    Se isto não é um desmentido ao que o Rui Tavares se apressou a espalhar logo no Twitter há 48 horas atrás (“Berlusconi salvou-se por três votos no PE: dois deles eram do PCP”)…vou ali e já venho.

  • Leo

    “E já agora clarificar toda esta historia das maquinas, e se os votos foram ou não, considerados como abstenção?”

    Logo o Augusto que desde há dois dias está fartinho de saber que nas votações do grupo GUE-NGL não houve abstenções! Pois sabe, mas trago-lhe para aqui o que já apresentei noutra caixa de comentários onde ambos trocámos ideias sobre o assunto. O resultado é mesmo este:

    JOINT MOTION FOR A RESOLUTION on freedom of information in Italy and in the European Union

    GUE-NGL (For) 29 (Against) 0 (Abstentions) 0 (Total
    present) 29 (Total non voters) 6 (Total members) 35 (Cohesion ) 100.00%

    http://www.votewatch.eu/cx_vote_details.php?id_act=104&lang=en

  • João Cerqueira

    Entre acreditar em Rui Tavares e na propaganda comunista, a qual consegue transformar derrotas eleitorais em grandes vitórias, tem dúvidas se a Coreia do Norte é uma ditadura e desconhece os crimes de Estaline, a escolha é fácil.

    Porém, convinha que o detentor deste blogue se voltasse a pronunciar sobre o assunto.

  • Leo

    “Entre acreditar em Rui Tavares e na propaganda comunista” ???

    Agora até o DN já é “propaganda comunista”?

    Relembro a notícia do DN de 22/10, sob o título “Bloco e PCP em guerra em Estrasburgo”:

    «O Bloco de Esquerda acusa o PCP no Parlamento Europeu de ter viabilizado a “impunidade” de Sílvio Berlusconi ao ter-se abstido ontem na votação de uma resolução sobre a liberdade de informação em Itália. PCP nega a acusação e diz que votou favoravelmente o documento. Mas o sistema de voto electrónico “não funcionou”, diz Ilda Figueiredo, que garante que “de imediato” o comunicou à mesa que “registou o sentido de voto dos deputados comunistas portugueses”.
    A resolução que censurava o domínio do primeiro-ministro italiano sobre os media foi travada em plenário, por três votos. Apesar de em acta se comprovar que Ilda Figueiredo e João Ferreira tinham a intenção de votar a favor, Rui Tavares, do Bloco, diz-se “atónito” com a posição do PCP e que os dois parlamentares “salvaram Berlusconi”. “É uma calúnia”, responde Ilda Figueiredo. “Se faltavam três votos, nós só somos dois, a resolução não passaria só com os nossos votos”.
    A resolução foi chumbada por 338 votos contra e 335 a favor. Apesar disso, mais quatro eurodeputados teriam votado a favor e um contra, caso o sistema electrónico não tivesse falhado. Mas, explica o porta-voz do PE, “uma vez fechada a votação, o resultado não pode ser alterado, é contra as regras”.

  • JS

    Leo, não sei a história toda, mas em relação ao primeiro comentário é fácil:

    3 votos de diferença, havia um voto que foi contra e deveria ser a favor de um eurodeputado italiano, logo havia já 1 voto de diferença (-1 contra, + 1 a facor, saldo + 2 a favor). Sendo assim, até fariam a diferença.

    Não se percebe é a declaração de voto, começam por dizer que votam a favor e acabam a dizer que se abstiveram…

  • JS

    Afinal era sobre o seu 2º comentário.

  • João Martins

    Acha mesmo que há um objectivo maquiavélico por trás das justificações? Se calhar até acha… Gosto muito de o ler e já assisti a duas palestras suas em Coimbra, mas aqui julgo que você está redondamente enganado. Atendendo aos factos, e a quaisquer que fossem as interpretações sobre o acontecido, a sua vontade de capitalização sobre especulações é constrangedora. Faz lembrar o cartoon sobre a agressão a Vital Moreira num post de Daniel Oliveira.

    http://arrastao.org/sem-categoria/assim-se-ve-a-forca-do-pc/

    Começo mesmo a achar que para além da dimensão esquerda-direita onde há alguma proximidade, há dimensões, como a do respeito, onde o Bloco teima em pôr-se a milhas. Não tenho vontade de azedar o prazer que me dá lê-lo, e ao contrário da maioria das pessoas quero acreditar num entendimento à esquerda… sem pontapés por debaixo da mesa.

  • Luis

    JS: Acontece que do grupo GUE-NGL houve 6 não votantes. Como explica então a afirmação de que “Berlusconi salvou-se por três votos no PE: dois deles eram do PCP”? E nem me dei ao cuidado de ir ver as votações dos outros grupos, pois como sabe era uma resolução conjunta. Mas deixei o link e pode ir ver.

  • JS

    ?

    Limitei-me a justificar aquelas contas. Esquecendo a recolha de dados, a contas feitas pelo Rui Tavares como estão feitas estão bem, ou não?

    Sobre o caso, nem percebi bem do que se trata (Rui, poderia explicar quais as consequências da (não) aprovação do diploma?), mas não me fosse assim tão fracturante que motivasse esta história.

    No entanto, li a declaração de voto e aí parece-me que meteram os pés pelas mãos. O que não consigo perceber, diga-se… Querem eles parecer que estão contra Berlusconi (e por isso querem ficar ligados à censura), mas serem ideologicamente contra este documento pela intromissão em questões italianas?

  • Leo

    “as contas feitas pelo Rui Tavares como estão feitas estão bem, ou não?”

    Conclua por si.

    O Total de Membros são 736. Os votantes foram 686. A resolução conjunta teve 335 votos a favor, 338 votos contra, 13 abstenções e não votaram 51.

    Esta resolução conjunta pela liberdade de infomação na Itália foi apresentada pelos grupos S&D, ALDE, GUE/NGL e Verdes. Nestes 4 grupos:

    No grupo ALDE Não votaram 4

    No grupo Verdes Não votaram 3

    No grupo do GUE-NGL Não votaram 6

    No grupo S&D Não votaram 11

    Isto é nos 4 grupos que apresentaram a moção conjunta houve 24 que Não votaram.

  • JS

    Caro Leo,

    Ou não me faço perceber bem ou então não quer perceber. Apenas reparei o seu 2º comentário:

    «Diz Rui Tavares (…) “Graças a um erro de um deputado anti-berlusconiano da lista de Di Pietro (Itália dos Valores) que se enganou e votou contra quando queria votar a favor, o que teria colocado a diferença a um voto.”

    Disse Rui Tavares (…)“Berlusconi salvou-se por três votos no PE: dois deles eram do PCP”

    Afinal qual é a versão correcta?»

    Ora, como já referi, não há qualquer incoerência nestas duas afirmações, batem totalmente certo… como diria o outro, é fazer as contas!

    Agora se diz que em vez disto houve 1001 erros, não tem nada a ver com os meus comentários.

  • Leo

    “Agora se diz que em vez disto houve 1001 erros”

    Eu não falei em erros. Eu o que disse é que nos 4 grupos que apresentaram a resolução conjunta houve 24 eurodeputados que não votaram. Concretamente:

    No grupo ALDE Não votaram 4

    No grupo Verdes Não votaram 3

    No grupo do GUE-NGL Não votaram 6

    No grupo S&D Não votaram 11

    O Rui Tavares que explique as afirmações que fez. Mas no mínimo não pode ignorar esta realidade.

  • João Cerqueira

    Pedro e o lobo

    Suponho que os comunistas conhecem a história do menino Pedro que gostava de enganar os aldeões gritando lobo, quando não havia lobo nenhum; um dia o bicho apareceu mesmo mas de nada lhe valeu gritar porque ninguém acreditou nele.

    Com os comunistas deu-se o contrário durante o século XX: enquanto os lobos devoravam as ovelhas, eles preferiam salientar as grandes conquistas populares e os amanhãs que cantam. Lobos? Lobos eram os capitalistas.
    Por outro lado, esse sistemático branqueamento, desculpabilização ou o «não tenho conhecimento dos factos» relativamente aos crimes cometidos nos regimes comunistas _ e em todos eles houve ou há fuzilamentos, campos de concentração e presos políticos _ pelos comunistas, preferindo contrapor outros crimes contra a humanidade para amenizar os dos ditos regimes, gerou na opinião pública das sociedades democráticas um sentimento de desconfiança em relação à versão dos factos históricos ou políticos apresentada pelos PCs.

    Orwell explica muito bem esta táctica de manipulação da verdade em Homenagem à Catalunha e depois em 1984, livro cuja origem está relacionada com a experiência das purgas estalinistas em Espanha contra o POUM e CNT.

    Por isso, acontece por vezes aos comunistas o mesmo que a Pedro: podem de facto estar a dizer a verdade mas, depois de tanta tergiversação quanto aos crimes que os regimes comunistas cometeram, a opinião pública tende a não acreditar.

    Ps: reconheço aos comunistas o papel desempenhado na luta contra o Estado Novo e acredito que a maioria são pessoas honestas e competentes, mas isso não lhes dá o direito de reescrever a História, ou apagar fotografias.

  • Leo

    O Lobo e o Cordeiro
    Como naquele Verão fazia muito calor, um lobo dirigiu-se a um ribeirito. Quando se preparava para mergulhar o focinho na água, ouviu um leve rumor de erva a mexer-se. Virou a cabeça nessa direcção e viu, mais adiante, um cordeirinho que bebia tranquilamente.
    “Vem mesmo a propósito!” – pensou o lobo de si para si. -“Vim aqui para beber e encontro também o que comer…”
    Aclarou a voz, pôs um ar severo e exclamou:
    – Eh! Tu aí!
    – É comigo que está a falar, senhor? – respondeu o cordeiro. – Que deseja?
    – O que é que desejo? Mas é evidente, meu malcriado! Não vês que ao beber me turvas a água? Nunca ninguém te ensinou a respeitar os mais velhos?
    – Mas… senhor? Como pode dizer isso? Olhe como bebo com a ponta da língua… Além disso, com sua licença, eu estou mais abaixo e o senhor mais acima. A água passa primeiro por si e só depois por mim. Não é possível que esteja a incomodá-lo! – respondeu o cordeirinho com voz trémula.
    – Histórias! Com a tua idade já me queres ensinar para que lado corre a água?
    – Não, não é isso… só queria que reparasse…
    – Qual reparar nem meio reparar! Olha que não me enganas! Pensas que te escapas, como no ano passado, quando andavas por aí a dizer mal da minha família? “Os lobos são assim… os lobos são assado…” Tiveste muita sorte por eu nunca te ter encontrado, senão já te tinha mostrado como são os lobos!
    – Não sei quem lhe terá contado tal coisa, senhor, mas olhe que é falso, acredite. A prova é que no ano passado eu ainda não tinha nascido.
    – Pois se não foste tu, foi o teu pai! – rosnou o lobo, saltando em cima do pobre inocente.

    Moral da história: para alguém decidido a fazer o mal a todo o custo, qualquer razão serve, ainda que seja uma mentira.

    As Mais Belas Fábulas de Esopo

  • Zé Manel

    Há muito que não resolvo problemas de estatística mas, se bem me lembro, segundo a probabilidade clássica, este é um típico caso de probabilidade condicional.
    Eventos a considerar:
    A: probabilidade 2 máquinas se avariarem
    B: probabilidade de se avariar a máquina de um elemento do PCP quando existem dois elementos
    C: probabilidade de se avariar a máquina de outro elemento do PCP, já se tendo avariado a máquina de um dos elementos do PCP

    Vou considerara a probabilidade de A como 0,05, duvido que seja mais se não de certo o sistema não seria usado.
    Segundo o que eu li 673 euro-deputados entraram na votação.

    A resolução deverá então ser qualquer coisa como:

    P(A ∩ B ∩ C) = P(A) * P(B) * P(B|A)

    P(A ∩ B ∩ C) = 0,05 * 2/673 * 1/672

    P(A ∩ B ∩ C) = 2.21 x 10^-7

    ou se quiserem P(A ∩ B ∩ C) = 0,000000221

    Portanto a probabilidade da máquina de Ilda Figueiredo e João Ferreira terem-se avariado ao mesmo tempo será de 0,000000221! Analisando isto de forma científica eu diria que as duas máquinas não se avariaram de certeza. João Ferreira, como cientista que foi, certamente concordará comigo.

    E assim se apanham dois mentirosos.

  • ze manel

    Errata:

    P(A ∩ B ∩ C) = P(A) * P(B) * P(C|B)

    P(A ∩ B ∩ C) = 0,05 * 2/673 * 1/672

    P(A ∩ B ∩ C) = 2.21 x 10^-7

    ou se quiserem P(A ∩ B ∩ C) = 0,000000221

  • Leo

    E como é que explica zé manel que nos 4 grupos que apresentaram a resolução conjunta tenha havido 24 eurodeputados que não votaram. Concretamente:

    No grupo ALDE Não votaram 4

    No grupo Verdes Não votaram 3

    No grupo do GUE-NGL Não votaram 6

    No grupo S&D Não votaram 11

    E que o Rui Tavares nem sequer isso tenha mencionado?

  • Rui Tavares

    Leo, esses outros que não votaram não estavam no hemiciclo sequer. Nalguns casos estariam nos seus países, ou doentes, ou noutras reuniões. Os dois únicos deputados do GUE que estavam sentados nos seus lugares, votando todas as propostas anteriores e posteriores, mas que não votaram a resolução, foram Ilda Figueiredo e João Ferreira. Os. Dois. Únicos. Todos os outros deputados do GUE que se encontravam presentes não tiveram a mínima dificuldade (nem dúvida) em estender a mão e usar a máquina para votarem contra Berlusconi.

  • Leo

    De 24, só 2 deputados é que estavam no hemiciclo? E viu isso logo, certo?

  • ze manel

    Leo a única coisa que eu queria provar e que consegui é que Ilda e João mentiram, a estatística por seu turno não mente…

  • Leo

    Conseguiu? Presunção e água benta cada um toma a que quer. Está como o Rui Tavares, até já conhece todos os deputados dos quatro grupos e até viu de relance que 22 não estavam lá.

  • ze manel

    Leo,
    A questão é muito simples há uma probabilidade de 0,0000221% (até menos, se fizermos os cálculos usando inferência Bayesiana) de: primeiro duas máquinas terem avariado, segundo de em 673 deputados as máquinas serem logo as duas de dois membros de um mesmo partido… é no mínimo estranho!

    Há no entanto uma probabilidade de 99.9999779% de o facto não ter acontecido. Você acredite no que quiser… eu cá acho que Ilda e João estão a mentir.

    Conheço pessoalmente o João Ferreira, e sinceramente desiludiu-me.
    E mais uma vez, e não querendo ser presunçoso, estamos na presença de dois mentirosos: o João e a Ilda. Quanto ao Rui pouco me interessa se ele viu quem lá estava ou não, porque não é disso que eu estou a falar. Por isso meu caro Leo se quiser responder-me por favor converse sobre o que eu estou a falar. Pode fazer críticas ao meu uso da probabilidade clássica, sugerir o uso da Bayesiana, criticar sobre a normalidade ou não dos dados, se seria melhor considerar uma distribuição t-student, etc.. Agora não me meta ao barulho se sei ou não quem lá estava, porque isso a mim pouco me interessa.
    O que eu sei e repetindo-me mais uma vez é que há uma probabilidade de 99.9999779% de as coisas não terem acontecido como o João e a Ilda contam…

  • Augusto

    Por mais que o comentador ao serviço do PCP tente , não consegue explicar, como na realidade votaram os dois deputados do PCP e porquê?

    Tudo o resto caro Leo é tentar atirar poeira para os olhos….

    Eu repito, como votaram Ilda Figueiredo e o outro deputado do PCP?

    Qual a razão da opção do seu voto?

  • Leo

    “Conheço pessoalmente o João Ferreira” e então do que é que está à espera para esclarecer junto dele as dúvidas, melhor dizendo as certezas? Era o que eu faria. Porque é que não o faz? Ouse confrontá-lo. É a falar que os homens se entendem.

  • Leo

    “como votaram Ilda Figueiredo e o outro deputado do PCP?” Como a Ilda explicou ao DN. Quem não se atreveu a desmentir o DN foi o Rui Tavares a quem a Ilda chamou de caluniador com todas as letras.

  • ze manel

    o Rui bem pode ser caluniador, mas a Ilda ou o João, ou mesmo os dois, está ou estão a mentir. Como aqui escrevi conheci muito bem o João enquanto presidente ABIC. Como bem diz podia falar com o João mas de certo ele me dirá o mesmo que disse ao Rui. Ou acha que se ele estiver a mentir vai de repente confessar? Sabendo ele perfeitamente que a primeira coisa que eu vou fazer é espalhar a notícia.

    Este é o tipo de caso que nem vale a pena contactar os intervenientes, embora o Rui o tenha feito e se eu tivesse na situação dele também o faria. Se as máquinas não estavam a funcionar então que Ilda e João se tivessem queixado em momento oportuno, ou estavam distraídos?

    Apesar da improbabilidade, as máquinas do João e da Ilda até podem ter avariado, no entanto isso não serve de desculpa para o seu silêncio sobre o facto durante a votação.
    Em ciência seguimos a regra da parcimónia, assim sendo e analisando todos os factos continuo a dizer um ou os dois mentiram, e como é óbvio não admitem nem nunca vão admitir. Como o Leo bem sabe não é assim que se faz a política, tudo não passa de um jogo de poker com bluffs e estratégias…

  • Leo

    “Se as máquinas não estavam a funcionar então que Ilda e João se tivessem queixado em momento oportuno, ou estavam distraídos?
    Apesar da improbabilidade, as máquinas do João e da Ilda até podem ter avariado, no entanto isso não serve de desculpa para o seu silêncio sobre o facto durante a votação.”

    Mas segundo o DN foi isso mesmo que fizeram. Se reparar está lá escrito: “Apesar de em acta se comprovar que Ilda Figueiredo e João Ferreira tinham a intenção de votar a favor, Rui Tavares, do Bloco, diz-se “atónito” com a posição do PCP e que os dois parlamentares “salvaram Berlusconi”. “É uma calúnia”, responde Ilda Figueiredo. “Se faltavam três votos, nós só somos dois, a resolução não passaria só com os nossos votos”.
    A resolução foi chumbada por 338 votos contra e 335 a favor. Apesar disso, mais quatro eurodeputados teriam votado a favor e um contra, caso o sistema electrónico não tivesse falhado. Mas, explica o porta-voz do PE, “uma vez fechada a votação, o resultado não pode ser alterado, é contra as regras”.

  • João

    Rui Tavares
    Que vergonha a sua atitude. Basicamente está a chamar de mentirosos os seus companheiros de bancada. Sinceramente não sei como a Ilda e João vão olhar para a sua cara no resto da legislatura. A vergonha da esquerda que se julga conciliadora. Pode ter a certeza que já não votarei Bloco se o senhor estiver nas listas das próximas eleições.

  • Augusto Küttner de Magalhães

    Penso que quando se entra por este genero de comentários a comentários, o nível vai baixando e todos temos a perder. Nunca votei PC, nem BE, e neste noto por vezes extrema agressividade. Mas penso que tem que haver mais respeitabilidade….a bem de todos. Ou construímos espaços de boa troca de impressões ou não vale de todo….mas…

    Augusto Küttner de Magalhães

  • Regador de galinhas

    o rui ou alguem se importa de divagar um pouco pelas intençoes dos dois deputados nesta cientificamente-provada suposta mentira… ou entao tambem podemos ficar assim… no diz que disse… vazios de conteudo

  • Nuno Ferreira

    Caros Amigos,

    concordo inteiramente com Sr. Augusto, acho que esta situação se está tornar ridícula. Nem li metade destes posts, porque não há pachorra…
    Lamento ainda, que a esquerda portuguesa continue com os seus habituais sectarismos e clubezinhos ideológicos absurdos, que infelizmente sempre tiveram presentes em Portugal, é importante fazer pontes de convergência no que é realmente importante para Portugal, que para mim é:
    1. Desemprego em quase 2 dígitos
    2. Portugal com um governo de mais do mesmo
    3. Ausência de uma política para o país a médio-prazo
    4. Ausência de perspectivas para os portugueses
    5. Acabar com a sociedade quase feudal em que vivemos, 10% vive confortavelmente, dominando todos os sectores da sociedade, através do controlo financeiro do país, enquanto os outros não têm oportunidades, e ou emigram, ou vão para call centers.

    Por isso deixemo-nos de perder tempo com guerrinhas e vaidades partidárias, e passemos a discutir soluções para algumas das questões que para mim me parecem pertinentes.

    Relativamente à questão PC/BE, deviam olhar para os alemães, e para seu partido o Die Linke, que conseguiram excelentes resultados, e que para bem do seu país e da Europa, reúne muitas tendências e opiniões de esquerda, o dividir para reinar é uma opção que sempre deu muitos maus resultados…

    O que me interessa é que se encontrem soluções, com a participação de todos.

  • Augusto Küttner de Magalhães

    Caro Nuno Ferreira

    Tem toda a razão. Se o interesse único é a maledicência, é criticar negativamente, é dizer sempre o mesmo: mal, mal, mal. Como se tivessem soluções milagrosas para tudo resolver, não vale continuar…..

    Temos que ser criticos pela positiva.
    Ou partir tudo, para nada construir…
    Qualqer das alternativas = uma possibilidade= uma consequência.

    Um abraço

    Augusto Küttner de Magalhães

  • Augusto Küttner de Magalhães

    Caro Rui Tavares

    Muito há ainda, com verdade, falar do Afeganistão. Mais concreto, com menos demagogia, como está ser este post.
    um abraço
    Augusto Küttner de Magalhães

  • José Manuel Faria

    Caro Rui,

    Quanto difícil é explicar ponto por ponto os factos e haver quem não aceite, mesmo sabendo de que lado está a razão.

    Até em casa isso acontece!

  • Leo

    Os factos é que nos 4 grupos que apresentaram a resolução que foi chumbada por três votos houve 24 eurodeputados não votantes. Isso O rui Tavares nunca explicou preferindo responsabilizar levianamente dois colegas portugueses.

  • João Vasco

    As contas foram feitas.

    A probabilidade das coisas se terem passado como Ilda descreve é perfeitamente irrisória. Essa probabilidade foi calculada assumindo uma probabilidade de 0.5% da máquina dar problemas, o que é um valor significativamente sobreestimado. O valor verdadeiro seria certamente menor.

    E é realmente difícil de acreditar que tenha sido inocente a preferência por fazer reclamação depois de já não se poder alterar a votação. Não existe justificação para essa atitude.

    Se a resolução passaria ou não sem esses votos (pelos vistos não) não me parece que seja o assunto em discussão. O que importa é que o objectivo dos não-votos era chumbá-la.
    E o objectivo da desculpa manhosa das máquinas é mentir ao eleitorado.

    E isto não é um fait diver qualquer. É muito relevante saber se podemos ou não confiar nas palavras destes eurodeputados, e pelos vistos não podemos.

  • Antero Santos

    Depois desta cena de uma coisa tenho a certeza: nunca mais votarei PCP.

  • Space_aye

    Parace eque esses senhores não se safaram muito bem com as máquinas.
    Eu até era capaz de desculpar os deputados menos experientes neste caso, como o tal João Ferreira, mas a Ilda Figueiredo é a cabeça de lista da CDU no PE! E não é propriamente inexperiente, pelo que sei.
    Deviam ter mais cuidado. As votações não são brincadeira nenhuma.

  • Pedro Vaz

    Enfim, é muito triste que alguém como o Rui Tavares se preste a este papel…

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