Aqui:

Segundo Alberto Gonçalves, “Obama concentrou na quase totalidade o voto preto, avalanche que nem a tradicional predilecção das minorias pelo partido democrático justifica. Com a eleição de Obama, insusceptível de repetição noutra democracia, o racismo dos brancos americanos tornou-se, pelo menos oficialmente, uma memória triste. O racismo dos pretos americanos é, se calhar, uma questão actual. A que não convém aludir.

Suponho que isto quer dizer que o facto de John Kerry ter captado “apenas” 88% do voto dos negros que participaram na eleição em 2004 e Obama ter captado 95% do mesmo voto em 2008 deverá ser visto como expressão do “racismo dos pretos americanos”. Nem imagino como Alberto Gonçalves interpretará o facto de, em 2008, 62% do voto asiático ter ido para Obama, contra 56% do mesmo voto para Kerry em 2004. Ou o facto de 67% do voto hispânico ter ido para Obama, contra apenas 53% do mesmo voto ter ido para Kerry em 2004. Só pode ser, claro, o anti-branquismo dos castanhos e dos amarelos. Realmente, sobre questões de “raça” e voto, não tem sido fácil dar uma para a caixa.

Adenda — Ainda há isto: “Barack Obama performed 9 points better than John Kerry among urban whites“. É o terrível racismo anti-branco dos brancos urbanos…

2 thoughts to “Pedro Magalhães um – Alberto Gonçalves menos que zero

  • ente lectual

    não seja muito duro com o senhor gonçalves, o objectivo principal era usar a terna designação “pretos” 5 vezes em 5 parágrafos. E, ora, consegui-o, há-que lhe reconhecer o feito.

  • João Vasco

    Ou seja: 9%>7%(95%-88%), a subida de Obama foi maior entre os “brancos urbanos” que entre os outros grupos étnicos à excepção dos hispânicos (onde a subida foi de 13%).

    Realmente nada como um bocadinho de atenção aos dados, e a capacidade de fazer umas contas de subtraír, para destruír completamente a “tese” do artigo em questão. Mas enfim, Alberto Gonçalves exprimiu o seu ressabiamento antes de prestar atenção aos factos, pondo-o assim a nú. É constrangedor.

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