Onde há um impossível, arregaçar as mangas — e só agora começámos

[declaração de candidatura às primárias LIVRE/TEMPO DE AVANÇAR]

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Ainda sou do tempo em que se dizia que era impossível juntar centenas de cidadãos numa eleições primárias abertas. Vocês também: foi apenas há umas semanas. Ainda somos do tempo em que nos diziam que era impossível fazer uma convergência para uma candidatura cidadã: foi antes da nossa Convenção de 31 de janeiro. Ainda sou do tempo em que diziam que não valia a pena introduzir uma novidade no panorama partidário português. E, no entanto, aqui chegámos.

A nossa missão é muito simples: cada descrença terá a sua resposta. Com cada passo sincero, com cada realização e conquista, esta candidatura cidadã irá aparecendo como a principal razão para acreditar que a política em Portugal pode mudar.

Onde há um impossível, arregaçar as mangas. E só agora começámos.

Falta muito a fazer. As próximas eleições serão, com a nossa determinação, o ponto de viragem de que Portugal necessita — e Portugal passará a fazer parte da viragem de que a Europa necessita. Isso, neste momento, só se garante com uma votação robusta nesta candidatura. Quem até aqui fez diferente dá mais garantias de que fará diferente após as eleições: com mais abertura, mais diálogo, com um espírito mais construtivo e inovador.

No dia a seguir às eleições, esta candidatura cidadã transforma-se em legislatura cidadã. Também durante o mandato traremos os nossos concidadãos para o centro dos debates mais decisivos sobre o futuro do país, de forma ampla e responsabilizada. Comprometo-me pessoalmente para que assim seja — nunca acreditei nos “impossíveis” da política portuguesa e sei que, se demonstrarmos o quão frágeis eles são, desaparecerão mais depressa do que pensamos.

Eu sou do tempo em que se diz que é impossível governar à esquerda em Portugal. Sou do tempo em que se diz que é impossível mudar a Europa. Sou do tempo em que se diz que não há alternativas à austeridade. Sou do tempo em que se diz que temos de nos conformar com a perda de direitos, a precariedade e o regresso da pobreza. Somos todos desse tempo.

Mas, com a força de todos, em breve seremos do tempo em que tudo isto se há de levar de vencida. Em que um grupo parlamentar saído desta candidatura apresentará as propostas da Agenda Inadiável: no desendividamento das pessoas, no combate às desigualdades, na expansão dos direitos fundamentais.

Seremos do tempo em que políticas implementadas por nós aumentarão o salário mínimo e diminuirão propinas, introduzirão um sistema fiscal mais progressivo, ampliarão as formas de financiamento da segurança social. Seremos do tempo em que a identificação de áreas de especialização para o nosso país e a aposta permanente na incorporação de conhecimento trarão mais dinamismo à nossa economia e atrairão de volta muitos dos que agora tiveram de sair. Seremos do tempo em que uma sociedade civil mais alerta e responsabilizada ajudará a preservar o estado de direito e combater a corrupção e a captura do estado por interesses privados.

Seremos do tempo — mais próximo do que se pensa — em que as nossas ideias entrarão no Conselho Europeu e em que começaremos a construir as alianças necessárias para que elas sejam vitoriosas. Do tempo em que as nossas leis na União Europeia não serão aprovadas por embaixadores mas por representantes eleitos no nosso parlamento. Do tempo em que o nosso governo não irá negociar às cimeiras europeias sem ter claramente definido um mandato na Assembleia da República.

Seremos desse tempo, por uma simples razão: porque faremos esse tempo. A melhor garantia de futuro é fazer acontecer. A transformar o país e a sua política dedicaremos todas as nossas forças — e para que eu possa continuar a dedicar todas as minhas forças a este projeto da forma mais eficaz peço que multipliquem comigo o vosso apoio.

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